Agora é negligência com vacinação
Toda a preocupação e o tumulto relacionados com a suspeita de existência da febre aftosa no Paraná não foram suficientes para uma medida de extrema relevância, que é a continuidade da vacinação para evitar que, se a moléstia não se instalou, isto venha a ocorrer. Milhões de cabeças de gado não receberam a dose da vacina nos quatro municípios paranaenses considerados de risco Amaporã, Grandes Rios, Loanda e Maringá e, portanto, estão vulneráveis. O alerta é do doutor em virologia Amauri Alfieri, veterinário e professor da Universidade Estadual de Londrina. Dos 10 milhões de bovinos existentes no Paraná, uma grande quantidade localiza-se naquelas zonas e está sujeita a contaminação. Ele atribui isso a uma questão política que não está sendo discutida tecnicamente entre o Ministério da Agricultura e Pecuária e a Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná, que errou feio desde o precipitado anúncio da suspeita. Isto atesta o quanto estão se revelando ineficientes os organismos governamentais do setor, sem exceção. Aquele especialista aponta para outro problema, que passaria despercebido se não houvesse ocorrido toda essa turbulência com o caso da aftosa: é a incapacidade do Laboratório Nacional Agropecuário (situado em Belém do Pará). Sua estrutura não permite procedimentos mais avançados de exame, como o molecular, que garante resultados em 24 horas. Isto é uma imprevidência, considerando que o Brasil tem o maior rebanho bovino comercial do mundo cerca de 200 milhões de cabeças. E é justamente do superávit da balança comercial externa (em grande parte sustentado pela exportação de carne) que o Governo tanto se ufana. Como se este fosse mérito seu. Na verdade este é um cumprimento que faz com o chapéu alheio, porque o saldo positivo dos negócios de exportação não constituem merecimento governamental e sim do empreendedorismo privado, que o partido que está no poder, o PT, chega a desdenhar. Percebem-se as falhas do Governo por fatos como a baixa capacidade daquele laboratório e o desleixo que agora ocorre com a vacinação nas regiões citadas. Os produtores fazem a sua parte e o poder público ''contribui'' com suas inoperâncias, mas faz alarde com os bons resultados das safras agrícolas e das demais produções do campo. No caso da vacinação a campanha encerrou-se domingo e a coleta de material do segundo exame ainda não começou, significando que a imunização só começará depois dessa providência. Enquanto isto, a entrada da doença poderá acontecer, porque ao se dar atenção a 200 animais sob suspeita, milhões ficam expostos. E em meio à inquietude reinante, notícia nada agradável vem de fora: a de que a restrição russa à carne do Paraná e Mato Grosso do Sul pode se estender ao produto oriundo de todas as partes do Brasil. Já são 50 os países que embargaram a entrada de carne brasileira, e teme-se que esse bloqueio demore ainda seis meses.





