Agora denúncia de superfaturamento
Os mensalões, que ficaram célebres no ano passado, são coisa pequena diante do superfaturamento de obras públicas. É ali onde se localiza a mina de ouro. Agora, uma nova amostragem disso ocorre com a reconstrução da parte destruída do prédio do INSS, em Brasília. O contrato assinado é de R$ 1.078.950 com previsão de um aditamento de R$ 195.000 mas técnicos de engenharia da instituição afirmam que o serviço custará, no máximo, R$ 400.000. Se isso não bastasse, a empresa foi contratada sem licitação, pelo Ministério da Previdência, e nem é do ramo. Por isso subcontratará empresas para execução da obra. O fato foi divulgado pelos veículos de comunicação, então o presidente Lula não poderá alegar que não sabe a escapatória que tem utilizado quando abordado sobre os escândalos da corrupção em sua administração. Vê-se que nada muda, mesmo depois das vergonhas que marcaram 2005 e que macularam o Governo Lula e o seu partido. Os grandes ralos por onde escoa o dinheiro do povo conforme casos históricos conhecidos são os superfaturamentos de obras e as aquisições de material e os serviços. Disto têm conhecimento os segmentos que operam na área e o círculo governamental. Os beneficiados, naturalmente, se calam, e os que assistem fecham olhos e ouvidos, porque é assim que funciona. O Governo é um salão festivo sempre aberto, e nessa redoma têm lugar a farra pública com o dinheiro que abarrota o Tesouro e exaure o bolso dos cidadãos. Mal passada a turbulência das vergonhas do ano passado, 2006 já começa com a notícia desse ''affaire'' da Previdência. O presidente da República ainda não se manifestou, mas certamente apresentará alguma justificativa, se não vier a alegar que não pode saber tudo o que acontece ''no andar de cima'' e no ''andar de baixo'' de seu gabinete exemplos que recentemente citou para explicar o inexplicável. O que ocorre é que os administradores públicos não se emendam, pela razão simples de que, com muita frequência, lhes falta honestidade e decoro. Por essa razão os governantes sempre estiveram em baixa no conceito da população. Com a menor chance de erro, neste exato momento está acontecendo alguma falcatrua pequena, média ou grande na esfera governamental, em todos os quadrantes da Repúlica e nas suas múltiplas hierarquias. As denúncias e descobertas de casos de corrupção não sensibilizam os governantes e nem lhes causam vergonha. O que os preocupa é tão somente o que isso possa prejudicá-los na eleição seguinte.





