Agora denúncia de corrupção na Infraero
Deve ser insuspeita a afirmação do relator da CPI do Apagão Aéreo, senador Demóstenes Torres, de que há crime organizado dentro da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária, mais conhecida como Infraero. Se mais não bastasse de denúncias escandalosas na esfera governamental, agora surge mais esta. Depois de ouvir os depoimentos de sete procuradores do Ministério Público Federal sobre a situação dos aeroportos de seis Estados, ele informou que houve no âmbito da Infraero licitações dirigidas, projetos básicos lacunosos, projeto executivo modificado, obras feitas com os preços que se quisesse, e que ninguém tinha controle disso.
Ele afirma que sete ou oito empresas arrebataram todas as obras de modernização dos aeroportos. E três procuradores da República também confirmaram irregularidades e superfaturamentos nas obras da Infraero em São Paulo, Campinas e Goiânia. Assim, faziam coro com denúncias que já haviam sido levantadas pelo Tribunal de Contas da União - desde grandes estruturas até corrupção como o gasto de R$ 1 milhão com apenas sete obras de arte (caso de Pernambuco) adquiridas, segundo a suspeita do relator da CPI, da mulher de Carlos Wilson, ex-presidente da Infraero. Não deve ser mera coincidência a ligação familiar e a aquisição dessas peças a um preço tão elevado, ou seja, em torno de R$ 150 mil cada uma. As coisas são realmente estarrecedoras e justificam a razão de tanta indignação popular, num país de muitas misérias sociais não resolvidas, porque fortunas são desviadas para sem-vergonhices desse porte, aí compreendidas também as demais denúncias aqui relatadas.
Esta CPI ao menos está trazendo algumas informações importantes, que poderão servir para a gestão do novo ministro da Defesa, Nelson Jobim. ''Há um abismo entre a Aeronáutica e toda a sociedade'', afirma o procurador da República em Guarulhos - onde está o grande aeroporto de São Paulo - Matheus Magnani. Mais que isso - ele diz - havia uma blindagem que a Aeronáutica e o Ministério da Defesa vinham fazendo para prejudicar as investigações do Ministério Público. Ele está defendendo a criação de uma força-tarefa para investigar de maneira contínua a atuação da Infraero, já que lida com valores vultosos.
Certamente que será necessário mudar a lei das licitações, de forma a combater - se isto for possível - ou atenuar a grave praga nacional dos poderes públicos representada pelos superfaturamentos, e a corrupção de toda a ordem. Deverá chegar a hora em que se dará um fim a tanta falcatrua. Se existe um presidente da República que nada vê e nada sabe, que acredita no que lhe dizem seus informantes internos e só vem a saber das coisas graves depois de escancaradas pelos veículos de comunicação, então será preciso que o que sobrou de intacto nos organismos de investigação e punição aja e que também a sociedade se mova.





