Ao menos o ex-ministro Walfrido Mares Guia pediu demissão depois que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Sousa, o denunciou ao Supremo Tribunal Federal por envolvimento no ‘‘mensalão mineiro’’. O pacote tem 15 denunciados, entre os quais estão também o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) e o empresário Marcos Valério. O ministro demissionário primeiro ocupou o Ministério do Turismo e a seguir o Ministério de Relações Institucionais. Ao nomeá-lo, o presidente Lula tinha conhecimento das suspeições que pesavam sobre ele nesse caso – o de irregularidades na montagem financeira (comandada por Mares Guia) da campanha de Azeredo ao Governo de Minas, em 1998.
  O procurador denuncia que esse ‘‘mensalão’’ foi a ‘‘origem e laboratório’’ do ‘‘mensalão’’ petista, que viria na continuidade e gerou o escândalo do Governo Lula que todos conhecem. O ex-ministro é citado 50 vezes nas 80 páginas da denúncia ora enviada ao STF. E o presidente Lula, ao invés de fazer um pronunciamento cauteloso – já que existe uma acusação formal ao seu ex-auxiliar – reiterou ‘‘integral confiança’’ no companheiro e disse estar certo de que ele será inocentado. E o ministro Guido Mantega diz que Walfrido Mares Guia é ‘‘um companheiro solidário’’ e que sua saída é ‘‘uma perda para o Governo, porque ele tinha um papel fundamental de articulação política’’.
  Ser um companheiro solidário e um bom articulador são virtudes importantes, mas não eximem o ex-ministro da prestação de contas se ele figura entre os acusados e for culpado. O procurador declara que tem provas suficientes. Se, no presente episódio, ocorreu o pedido de demissão – por si uma atitude de decência, que deveria ser tomada por todos os homens públicos acusados em qualquer denúncia – o fato, se não envolve o Governo Lula, também o atinge. Porque Lula tinha conhecimento de acusações que se faziam contra Mares Guia, nesse caso acontecido em Minas, e mesmo assim o abrigou em seu staff.
  Até agora, quase todas as figuras proeminentes que vieram compondo a administração Lula foram denunciadas por corrupção. Poucos se salvaram. Se o presidente declara ter recebido ‘‘com pesar’’ o pedido de demissão, seu pesar maior deveria ser pela acusação que pesa contra seu ex-ministro, porque de acordo com a denúncia R$ 3,5 milhões foram ‘‘criminosamente retirados de três estatais’’ para atender ao ‘‘mensalão mineiro’’. A outra fonte de recursos da campanha de Azeredo – conforme a acusação que chega ao STF – é de maquiagem de recursos públicos e contribuições ilegais, tudo somando R$ 25 milhões. O caso está sob análise do ministro do Supremo Joaquim Barbosa, relator também da ação penal contra os 40 envolvidos no ‘‘mensalão’’ do Governo Lula.

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