De repente a conversa muda e, ao invés de idéias de venda da Sercomtel, surge uma proposta de expansão dos serviços da telefonia fixa da companhia. Esta é uma linguagem mais identificada com o Paraná e com aqueles que, tendo aberto tantas cidades novas, têm a visão voltada para o expansionismo e não para desfazer-se de suas sólidas estruturas patrimoniais - justificáveis, convenhamos, quando o mercado e a concorrência limitam os espaços e ameaçam a sobrevivência dessas empresas. A proposta partiu da Copel, sócia da Sercomtel com 45% das ações e que quer a telefônica londrinense estendendo suas ramificações para Maringá, Ponta Grossa, Curitiba, Cascavel, Foz do Iguaçu e dali por diante. O projeto é a Sercomtel utilizar a rede ótica da Copel e que existe em 140 municípios do Paraná. Nega-se que essa operação – se vier a ser concretizada – possa resultar na perda do contrôle acionário, pela empresa majoritária. Porque, se o Município, até dias recentes, veio defendendo a venda da Sercomtel Celular, algumas correntes começaram a fermentar a idéia de vender também a empresa-mãe, e isto alerta para a possibilidade de, a um passe de mágica, a Sercomtel perder o comando acionário por artifícios da expansão que agora se esboça. Natural que a Copel desejaria controlar a telefônica, assim como a Telepar tudo fez para assumir a telefonia celular quando a Sercomtel, na gestão de Jackson Testa, ousava implantar o sistema em Londrina por sua própria conta. Agora, ao invés das ânsias de venda, que começaram pelo argumento de que a Sercomtel Celular dá prejuízo e que precisa ser vendida surge uma inversão da corrente e fala-se em expansão. Este o caminho, desde que o Município preserve o controle e consolide as raízes da companhia, que se impõe como exemplar, no Brasil, e é a única no País regida por administração municipal. Empresas que dão lucro são cobiçadas. A própria Sercomtel Celular pode ser lucrativa, porque a telefonia é um dos grandes negócios da atualidade e se expande no mundo. Deve-se reconhecer, contudo, que a concorrência é fortíssima, favorecida pela velocidade da tecnologia. No caso da empresa londrinense, pode estar havendo anseio de fazer dinheiro e investir em obras novas que ressaltem a administração pública municipal. A nova idéia de expansão, ontem anunciada publicamente, exigirá investimento, alteração do capital e da razão social, e por isso a Sercomtel não pode resvalar pela correnteza da perda de ações e do controle acionário, porque isto resultaria não mais em venda, mas – muito pior – em entrega, sem ver dinheiro algum.

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