Se os Estados do Paraná e Mato Grosso do Sul vão receber R$ 33 milhões para a rubrica da febre aftosa pouco, para a importância do problema essa verba precisa ser liberada imediatamente, porque das promessas à liberação o caminho tem sido longo. Ao anunciar essa providência, o ministro da Agricultura e Pecuária, Roberto Rodrigues, voltou a criticar seu colega da Fazenda, o ministro Antonio Palocci, que é quem segura o dinheiro, ao sabor de suas renitências. ''Há atrasos nas decisões do Ministério da Fazenda'', disse Rodrigues, lembrando que a agricultura pediu R$ 600 milhões para acompanhar a comercialização de grãos, e Palocci só liberou R$ 300 milhões. No caso da sanidade animal, por conta de sua pouca simpatia por produtores rurais e pecuaristas, o poderoso ministro contingenciou 80% dos R$ 169 milhões destinados para este ano à defesa sanitária animal. O valor agora anunciado deve servir também à indenização pelo extermínio de animais contaminados, caso do vizinho Estado, e dos que venham a ser sacrificados no Paraná. Não pode haver prevalência da burocracia uma das contaminações mais nefastas dos governos quando há urgência em debelar um mal tão prejudicial à economia brasileira como a doença que ora volta a afetar rebanhos bovinos. Prejuízos sem conta já estão ocorrendo nas atividades pertinentes ao comércio de produtos de origem animal, destacadamente a suspensão das importações de carne brasileira. Porque, se esse alimento eventualmente contaminado não faz mal ao consumidor, gera precauções externas pela possibilidade de contagiar os seus próprios rebanhos bovinos, caprinos e ovinos. Com o abate, o vírus também morre, pela acidificação natural pós-mortem, mas há pontos do organismo animal em que tal não ocorre. Entre os produtos lácteos, mesmo o leite pasteurizado não inativa o vírus. A preocupação com a aftosa é, portanto, também mundial, daí ser tão grave a presença de um ministro, como o controlador do Tesouro, que retém criminosamente verbas destinadas à sanidade da pecuária, que a par da dinamização da economia interna traz dólares necessários ao intercâmbio dos negócios internacionais. Porque se faltam divisas e felizmente há um superávit a importação de equipamentos e outros bens também fica sacrificada. Num país em crescimento apesar dos governos, há dependência de trazer de fora aquilo que o Brasil não produz, ou ainda não produz suficientemente. A opinião pública menos esclarecida e setores governamentais chauvinistas tendem a imaginar que a produção em escala é coisa de latifundiários e de capitalistas predadores, quando eles compõem o universo dos empresários (incluindo os médios e pequenos) que sustentam a economia deste país, gerando produção, empregos, tributação e, no geral, bem-estar social. Portanto, todo o empenho que se fizer, pela causa da cadeia produtora, será sempre pouco.

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