Aftosa, omissão dos políticos e demora
A tormentosa novela da febre aftosa no Paraná, que se imaginava encerrada, vai continuar por período indefinido porque os animais com o carimbo da suspeição terão de passar por novos exames. Determinação do Ministério da Agricultura e Pecuária. Enquanto isso os prejuízos vão se avolumando, com o agravante de que a vacinação fica suspensa até que chegue o resultado final. Pergunta-se, em face disso, quem se responsabilizará doravante por eventual contaminação que venha a ocorrer. E pergunta-se, sobretudo, o que estão fazendo o governador Roberto Requião, os senadores e os deputados da bancada paranaense em Brasília, e os deputados estaduais, que até agora não moveram uma palha para acelerar esse angustiante processo. Pergunta-se e responde-se: Requião ficou os últimos sete dias na Venezuela, tratando de questões ideológicas com o companheiro Hugo Chavez; os políticos do Paraná com assento no Congresso só se ocupam das CPIs, que parecem lhes darem mais rendimento político pela oportunidade das aparições públicas do que essa questão da doença bovina; e os deputados estaduais, pela omissão que se verifica, demonstram nem saberem do que está ocorrendo. Os representantes do Paraná na capital da República, que estão tão próximos, já deveriam ter ido ao Palácio do Planalto reclamar a intervenção do presidente da República. Porque essa indefinição tem a ver com a economia das regiões envolvidas e com a política nacional de exportação. Não são apenas os negócios de maior volume individual que estão sendo prejudicados, mas também os dos pequenos produtores. Mesmo que a atividade pecuária só envolvesse grandes fazendeiros o que muitos, equivocadamente, supõem que seja ainda assim a produção em escala precisaria ser protegida. Porque neste país de dimensão continental as megapropriedades não oferecem prejuízo à causa da ocupação do solo, pela indiscutível realidade de que há muita terra ainda por explorar (e sem necessidade de desmatar), só faltando uma política agrária consistente. E a produção em grandes áreas, que pela sua natureza se processa de forma mais econômica, robustece as safras, tão benfazejas para o consumo dos brasileiros e para a venda externa. Esta trazendo os preciosos dólares necessários para a contra-balança da importação. Mas o maior volume da produção rural, no Brasil, procede mesmo das pequenas e médias propriedades. Na região paranaense agora sob vigilância não há latifúndios. O Paraná está sendo castigado por essa demora em definir a questão da aftosa. Impera um clima de desinformação e as lideranças governamentais do Paraná vão aceitando tudo pacificamente e permitindo que o Ministério da Agricultura faça e desfaça, ao sabor de interesses não suficientemente decifrados. A Justiça Federal determinou que até a próxima segunda-feira o Ministério terá de definir quando dará as respostas conclusivas. Por que é tão demorada a resposta dos exames feitos pelo Laboratório Nacional Agropecuário, órgão do Ministério da Agricultura e Pecuária? A quem interessa essa demora?





