O Ministério da Agricultura e Pecuária comunicou à Organização Mundial de Saúde Animal a ocorrência de febre aftosa nas fazendas suspeitas de Bela Vista do Paraíso, Grandes Rios, Maringá e Loanda, envolvendo seis propriedades. É a aftosa-papel, na qual ninguém acredita. Porque não há nenhum sinal de gado doente, mas ao contrário, os animais das fazendas interditadas vêm apresentando boa saúde e crescendo em peso. O Ministério já autorizou a Secretaria da Agricultura do Paraná a sacrificar os animais, que somam 4.500, mas há ações contestatórias em curso na Justiça. As perspectivas são sombrias, prevendo-se que o caso poderá se arrastar por muito tempo ainda. É uma história sinistra que parece sem dia para acabar. Quanto mais se mexe nessa ferida, mais ela sangra e cresce. Os defensores do abate/sacrifício de todo esse gado acreditam que esta pode ser uma fórmula de iniciar o processo de fim do drama, mas apontam para a aparência sadia dos animais, e do que isto representará em desperdício. Mas não apenas isso, e sim o temor de calote do Governo, que, no caso da Fazenda Cachoeira, por exemplo, já se recusou a fazer o pagamento adiantado da indenização. Os pecuaristas vítimas desse processo não depositam fé em seriedade governamental, por isso buscam defender-se na Justiça e aguardam que uma solução salvadora ocorra. Mesmo que um eventual sacrifício dos animais ocorresse imediatamente, e se novos inventos do Ministério não venham a ocorrer, seriam necessários seis meses para a regularização da situação. Mas, nessa marcha que não avança e nem recua, está implantado um regime de desinformação e de incerteza. Ninguém pode prever o que possa acontecer. A revolta gerada pela declaração de suspeita, partida da Secretaria de Agricultura do Paraná e abraçada imediatamente pelo Ministério, no ano passado, aponta para o afastamento do ministro Roberto Rodrigues. Porém, se for esta a solução, tal dependerá de ato do presidente da República, que nem deve estar sabendo do que ocorre, ou já teria se pronunciado. Se, no caso de uma das fazendas, a Justiça autorizou o abate/sacrificial, mas com indenização adiantada, e o Ministério não aceita esta última condição e vai protelando o impasse, então parece mesmo que não há vontade de solução alguma, até porque a importância a pagar é relativamente baixa. Paira um clima de justificada indignação e de impotência de parte dos pecuaristas, porque a doença não existe mas o Governo não age com transparência.

mockup