Incrível que isto esteja acontecendo, mas os negócios da pecuária, no Paraná, estão na dependência de uma picuinha do ministro Roberto Rodrigues com o governador Roberto Requião. A razão é uma anterior pendenga, que teve origem com a posição do ministro em favor da soja transgênica, e de Requião sabidamente contra. O chefe do Governo paranaense chegou a acusar Rodrigues de operar a serviço da multinacional Monsanto, interessada nos negócios da soja geneticamente modificada. A partir daí a relação entre os dois nunca foi amistosa, embora o formalismo que as funções exigiram, sobretudo nos eventos públicos. Tudo indica que agora o Ministério da Agricultura e Pecuária encontrou uma razão para vingar-se, ao abraçar a causa da suspeição da febre aftosa no Paraná. Isto faz sentido, pela insistência do ministro em ordenar novos exames no lote de gado suspeito que entrou no Estado (pouco mais de 200 cabeças) e a manutenção das barreiras nas regiões demarcadas, o que já gerou um prejuízo astronômico para pequenos, médios e grandes produtores. A existência dessa picuinha já era de domínio da comunidade rural, e parece que agora converteu-se mesmo num vírus, porque as evidências são flagrantes demais. O gado que estava sob suspeita já foi examinado, com o resultado negativo, mas o bloqueio dos negócios continua. Porque, quando os segmentos envolvidos começaram a recuperar-se da exaustão, uma nova tormenta desabou, com a ordem do ministro de fazer novos exames e prolongar a angústia. Supõe-se que, ao atingir o Paraná, a mira seja o governador do Estado, que não é dono de nenhum boi. O foco desses estranhos comportamentos parece que agora está detectado. É essa picuinha. Como diz a gente do Litoral, na briga entre a maré e o rochedo, quem se arrebenta é o marisco. E entre os que se lascam estão pequenos produtores de leite, nas regiões do Paraná sob vigilância, sem perder os demais, pelo prejuízo com a paralisação da exportação de carnes paranaenses e com o quanto irá demorar a reconquista dos mercados perdidos. Na voz corrente dos pecuaristas, é evidente que o ministro da Agricultura e Pecuária gostaria, mesmo, que houvesse febre aftosa por aqui para validar sua enfática suspeição, cinco semanas atrás, de que havia ''noventa por cento de possibilidade'' de que a doença havia entrado no Paraná. Como nada se provou nesse sentido, sua posição ficou muito desconfortável. Em face de tudo isso, existem no momento duas expectativas dos pecuaristas do Paraná e de todos quantos lidam com os negócios da carne e leite e seus derivados, no Estado: a proclamação definitiva da inexistência de aftosa no gado paranaense e a saída do ministro. E do governador Roberto Requião espera-se que assuma uma posição de enfrentamento decidido a este estado de coisas, por que é ele, afinal, o guardião político dos interesses do Paraná. Se esteve ausente do País por estes dias, em visita ao companheiro Hugo Chávez, presidente da Venezuela justamente quando eclodiu a crise da recorrência a novos exames do gado Requião deve agora assumir o comando dessa briga, que, se já existia, precisa ir para os rounds finais. E quem tem de bater pesado é o Paraná.

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