O prejuízo que está acontecendo na região paranaense de Grandes Rios é resultante da desinformação, porque carne, leite e derivados, mesmo de animais portadores de febre aftosa, não são prejudiciais ao consumo humano. Mas o que está acontecendo é a retração na compra desse produtos, pelos consumidores, gerando queda de renda e quase falência dos pequenos produtores. A suspeição da existência de focos da doença no município está desestabilizando a economia do lugar e da redondeza próxima, mas não há razão para temor quanto à ingestão daqueles alimentos. Natural o protesto da comunidade pela demora na revelação do resultado das análises, mas esses exames estão sendo feitos no Laboratório Nacional Agropecuário, em Belém do Pará – o mais especializado do País no setor – e demanda tempo, pela dificuldade em isolar o virus. O que não pode ocorrer é o pequeno município, de parcos recursos financeiros, ter de assumir gastos com alimentação dos técnicos de observação e de fiscalização, de policiais, e com o combustível para os carros da Polícia, porque esta é incumbência de áreas superiores do poder público, existindo verba para esse fim. Diante da crise, a salvação é que os laticínios estão absorvendo a produção de leite que antes era captada pela cooperativa Confepar. Mas – não se sabe porque razão – o preço de compra ainda não foi estipulado, parecendo um oportunismo dos compradores em face do desespero dos produtores em não perder o produto, que, obviamente, não pode ser estocado no úbere da vaca. Esta é uma questão que exige policiamento por parte das instituições competentes. Se há um valor de mercado, não há porque não segui-lo e ir pagando os fornecedores. A compra de leite por esses laticínios já gerou o aumento de produção de queijo em 50%, por parte de um deles, porque o Governo do Estado liberou o trânsito e a comercialização desse derivado. É boa notícia, mas a definição de preço para o produtor de leite é uma questão não resolvida e não pode dar ensejo a especulações. E ontem, para tumultuar ainda mais o clima já tenso, descobriu-se novo foco de aftosa em Mato Grosso do Sul, especificamente em Japorã, numa fazenda de 5.500 cabeças. O fato demonstra como foi precipitada a informação do Ministério da Agricultura e Pecuária – quando a primeira incidência ocorreu naquele Estado, no mês passado – de que tudo estava sob controle e que o mal estava circunscrito à fazenda então afetada. No caso de Grandes Rios, o que precisa acontecer é o afastamento do temor sobre o consumo de produtos bovinos e derivados, porque é certo que a aftosa não atinge o ser humano. Se nada há a temer nesse sentido, a crise ora vivida no município será afastada pelo retorno natural ao consumo da carne e do leite. Mesmo que casos de aftosa no gado retido ocorram, o consumo precisa continuar normalmente. Os órgãos públicos pertinentes precisam orientar os consumidores sobre isto. O caso alarmante e gerador de grande prejuízo é a rejeição da compra de carne brasileira pelo mercado externo, cujos consumidores, igualmente desinformados, deixaram de consumir o produto, e ademais porque os países importadores temem a entrada do virus e a contaminação de seus próprios rebanhos.

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