Afrodisíacos: a tentação que sobrevive ao tempo
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de dezembro de 2002
Moacir Costa 
No imaginário de homens e mulheres, há incontáveis referências aos alimentos afrodisíacos, tamanho é o fetiche provocado por essas plantas e preparados mirabolantes que, ao serem ingeridos, ''magicamente'' aumentam a potência sexual do homem. Por isso mesmo, esse tipo de preocupação sempre esteve vinculada ao universo masculino, até porque a auto-estima feminina nunca repousou na capacidade de se mostrar incansável ou de melhorar a sua performance sexual.
Apesar disso, o termo afrodisíaco deriva de uma divindade grega feminina, considerada a deusa da beleza e do amor: Afrodite. Na verdade, a primeira referência que se tem quanto ao poder de sedução aparece desde os tempos bíblicos na passagem em que Adão é induzido ao pecado ao morder a maçã oferecida por Eva sob a influência da serpente.
E parece que os descendentes de Adão mantiveram a tradição de experimentar o fruto proibido, pois entre os adeptos da versão moderna dos afrodisíacos, os homens são maioria absoluta. É muito comum a iniciativa de ingerir ginseng, amendoim, ovo de codorna, temperos exóticos, além de raízes de plantas como a catuaba, a mais comum aqui no Brasil.
Na maioria das vezes, o homem está preocupado em usar alguma substância que possa melhorar a sua capacidade sexual. Entretanto, não existe nenhuma prova científica de que os afrodisíacos produzam efeitos capazes de melhorar ou resolver problemas sexuais. Na verdade, os homens sempre tiveram uma postura ''preventiva'': assustados e temerosos de um dia terem problemas de potência, passaram a usar qualquer vitamina ou extrato de plantas, acreditando que estariam imunes à impotência.
Na realidade essa ajuda sempre foi ilusória. Nestes últimos quatro anos esse quadro melhorou muito com o surgimento do Viagra. Pesquisas recentes mostram dados preocupantes ao constatarem que o número de homens portadores de disfunção erétil (entre 40 e 70 anos) atinge quase 50%.
Até hoje a medicina encontrou apenas uma substância capaz de aumentar o desejo sexual: a testosterona, o hormônio masculino, que só deve ser usado quando os exames laboratoriais mostram a redução do mesmo. Nesses casos de ausência de desejo a fantasia tem um papel importante. Por outro lado, não existe nenhum mal em usar o afrodisíaco como estimulante da sensualidade, uma maneira inteligente de aumentar o clima erótico.
De qualquer forma, vale lembrar que o amor é o único afrodisíaco que você não vai encontrar em farmácias ou feiras livres, mas sem dúvida constitui-se no mais poderoso estimulante da sexualidade.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta e autor do livro ''A pílula do prazer''


