Afirmação necessária
O Paraná não está bem no mapa do Brasil político: carecemos de firmeza para recuperarmos o posicionamento que tivemos ao tempo do ''neysmo''. Dependemos dos homens de governo e de oposição. A afirmação do ministro das Comunicações de que serão anuladas as concessões de rádio e televisão feitas em nome de ''laranjas'' tem que ser transformada em realidade. Isso conferiria ao ministro Paulo Bernardo a condição de sinalizador de um momento de ruptura com acomodações antigas e intoleráveis, mas consolidadoras de uma das dimensões mais negativas do Brasil, visível no patrimonialismo que nega a República.
Indispensável também que ações como as desencadeadas pelo deputado Valdir Rossoni, na presidência do Legislativo Estadual, se consolidem e gerem um clima novo na própria sociedade e que ponha fim ao ceticismo que tanto mina o comportamento das pessoas. Nesse aspecto da luta contra desvios, Londrina é um referencial por obra das pressões sociais e da ingente ação do Ministério Público.
Claro que atos como o do governador Beto Richa anulando as concessões de vantagens vitalícias a ex-governadores também se alinha à medida assumida pelo prefeito de Curitiba, Luciano Ducci, em romper os contratos da Consilux, que opera o sistema de radares de trânsito e que foi incluída nas denúncias sobre a máfia que ronda a área.
É indispensável, porém, que haja passos adiante e cheguemos a inquéritos bem montados e com ampla possibilidade de aceitação pela Justiça porque não basta ao país assistir diariamente a sequência de escândalos quando não se chega à punição alguma, tal qual se deu com o mensalão. É evidente que a simples informação já é um avanço sobre o silêncio e a acomodação. Seria frustrante que os desvios de centenas de milhões da Assembleia Legislativa acabassem em mais um ato clássico de impunidade e como tal o mesmo se desse com abusos nos portos que vão muito além do gerenciamento temerário. Se não pudemos ter governos de obras que os tenhamos, ao menos, de atitudes.





