Curitiba Em época de campanha, candidato não tem final de semana. Nada de livros, discos ou aquele cineminha no final de tarde. O tempo livre se resume quase que estritamente à busca de votos. Mas o que gostam de fazer os candidatos quando não estão dedicados de corpo e alma à campanha? A Folha ouviu os quatro principais candidatos ao governo do Estado para saber as suas afinidades culturais. O gosto para música, literatura e cinema geralmente surpreende já que difere da imagem passada ao eleitor mas muitas vezes o critério vai ao encontro do senso comum. Afinal, não vigora a idéia de quanto mais próximo for o candidato do grande público, melhor?
A máxima pode também se aplicar ao gosto pessoal. O candidato Alvaro Dias (PDT), por exemplo, afirma ser um amante da música sertaneja. Já o candidato petista Padre Roque Zimmermman confirma ser um bom ouvinte da música clássica, embora confesse ter todos os discos do músico mineiro Milton Nascimento. Beto Richa (PSDB) diz gostar de rock e música popular. A sua mulher, Fernanda Richa, disse à reportagem que o grupo Capital Inicial está entre os seus preferidos. Já Roberto Requião (PMDB) confessa que cada período da sua vida está ligado a uma música, geralmente do extenso repertório da MPB.
A vasta bibliografia de psicologia mostra que as aptidões culturais geralmente estão ligadas a um determinado modo de vida. A infância e a adolescência são períodos fundamentais para definir esses critérios, bem como a influência familiar. O gosto de Alvaro para a música sertaneja pode ser explicado por uma infância passada no interior. O candidato do PMDB nasceu em Quatá (SP) e se formou em história pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Londrina.
Na época em que tinha tempo livre, ou seja, antes de se dedicar a carreira política, Alvaro disse nunca ter integrado bandas ou grupos teatrais, mas justifica: ''Mesmo sem integrar nenhum grupo específico, eu participava da movimentação cultural entre os estudantes, que era intensa principalmente com os festivais universitários que marcaram época em Londrina''. Segundo o candidato, ninguém que participou da vida acadêmica daquela época se esquece dos festivais de música e de teatro. ''Esse belo Festival Internacional de Teatro de Londrina, a propósito, começou com os nossos festivais universitários'', vangloria-se.
Já Padre Roque, gaúcho natural de Santo Cristo e ordenado padre em Roma, em meados da década de 60, confessa não só ter participado de grupos de teatro na época de estudante, como ter escrito algumas peças. Além disso, na universidade também integrava grupos de discussão sobre literatura.
O londrinense Carlos Alberto Richa, formado em engenharia civil pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), informou nunca ter participado de grupos de teatro ou banda, mas manifestou inclinação para aprender a tocar algum instrumento musical assim que tiver tempo. Seu gosto eclético pela música atualmente, provavelmente venha dos três filhos, com idades entre 16 e sete anos.
O único candidato, dos quatro entrevistados, que foi uma espécie de ativista cultural na época de estudante, quandos os finais de semana não eram dedicados somente à política, é o jornalista e advogado Roberto Requião de Mello e Silva. Formado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Requião conta que, na época de estudante, já dedicava um bom tempo ao palco, na época à ribalta. ''Fui um dos fundadores do Teatro do Estudante Universitário (TEU), que marcou época em Curitiba e no Estado. A fundação do TEU foi financiada por uma bilheteria inteira da peça 'Liberdade, Liberdade', com Paulo Autran'', conta.

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