Afinal, o que querem os jovens?
Os jovens nunca estiveram tão em evidência no Brasil como nos últimos meses. Desde a organização dos protestos que conseguiram "parar" o País em junho do ano passado, às manifestações violentas de vandalismo e danos ao patrimônio público e privado registradas nas capitais com a figura dos "black blocks", aos rolezinhos ocorridos nos shoppings centers e chegando aos recentes protestos realizados em Londrina neste mês.
O desejo de buscar visibilidade e reconhecimento da sociedade já foi abordado pela FOLHA em recente entrevista com o antropólogo Alexandre Barbosa Pereira, do Núcleo de Antropologia Urbana da Universidade de São Paulo. É fato que, assim como as demais fatias da população, os jovens sofrem com a falta de políticas públicas eficientes. Também são atingidos pelos serviços públicos deficientes como a saúde precária e a educação de baixa qualidade e pelo desemprego, maior entre essa parcela.
No entanto, se as manifestações são uma legítima forma de protesto é importante discutir a forma como esses atos vêm ocorrendo. Esses ações começaram para protestar contra o aumento de R$ 0,35 da tarifa do transporte público. Cabe lembrar que estudantes da 6ª série à pós-graduação pagarão metade do valor da passagem, que é R$ 2,65, conforme decreto municipal. Além disso, o discurso inicial de que as manifestações pretendem beneficiar os trabalhadores não pode ser considerado, já que até agora esse público foi o maior penalizado pelos protestos. Outro ponto
que corrobora para essa afirmação é o próprio discurso pelo "passe livre".
A sua implantação certamente acarretará em uma tarifa ainda mais alta ao restante dos usuários. A estatização do transporte público, outro item defendido, sequer merece ser discutida.
É salutar que os jovens lutem e busquem seus direitos e que a indignação típica da idade seja canalizada para conquistar mudanças que, no final, beneficiarão a toda a população. No entanto, é importante que todo esse processo não traga prejuízos aos demais membros da sociedade. Depredação de prédios e de bens públicos e privados, pichações, atos de vandalismo, de forma alguma, não são e não podem ser considerados legítimos. E, para
isso, é preciso punição.





