As relações entre o profissional e o mercado de trabalho estão passando por uma mudança significativa. Para quem pretende alçar vôos maiores dentro deste disputado mercado, é hora de desenvolver a empregabilidade, termo cada vez mais comum quando o assunto é recursos humanos.
Para ser empregável, o profissional precisa desenvolver conhecimentos, habilidades e, principalmente, competência interpessoal. ''Nos processos de seleção de 20 anos atrás, era muito valorizado o especialista, com capacitação técnica diferenciada. Hoje, pesa muito a capacidade de relacionamento interpessoal. É a facilidade de trabalhar em equipe, desenvolver espírito de liderança. São características que fazem o profissional crescer naturalmente dentro de uma empresa e, consequentemente, ser valorizado'' explica a consultora em desenvolvimento de pessoas e empresas, Maria Cristina Consalter.
Também já se foi o tempo em que carteira assinada e longos períodos dentro de uma mesma empresa eram sinônimos de segurança. ''No passado, o conceito era muito diferente. Era se manter em um emprego em organizações sólidas e poder se aposentar ali mesmo. As pessoas não tinham a preocupação de se desenvolver. Segurança, hoje, implica em correr alguns riscos, como se transferir de uma empresa para outra, ou até trocar de função na mesma empresa. Isso requer desenvolvimento de mais responsabilidades, competências'', garante a consultora.
De acordo com Maria Cristina, ser empregável não significa necessariamente estar com vínculo empregatício em uma organização. Profissionais autônomos também têm capacidade de desenvolver esta empregabilidade. ''Às vezes, até os jovens com pouca experiência apresentam um perfil empreendedor e resolvem desenvolver seu próprio negócio. Você mesmo pode gerir sua carreira, prestando serviços para outras empresas''.
Foi o que fez o administrador de empresas José Bernardo de Medeiros, 47 anos. Ele trabalhou em grandes empresas de São Paulo na área de planejamento financeiro e traçou uma meta de, aos 30 anos, não ser mais empregado. Deixou o emprego estável na capital paulista para montar, no então recém-lançado shopping Catuaí, uma empresa no ramo de alimentação.
Treze anos depois, o negócio fracassou, e Medeiros usou toda a experiência e relação interpessoal para retomar a atividade em outra área. ''Para mim foi um renascimento. Vi-me com mais de 40 anos e sem meu ganha-pão. Até apareceram oportunidades para voltar a ser empregado, mas decidi ser ousado. Se aceitasse os convites, resolveria meu problema imediato, que eram as dívidas. Mas ficaria naquela estabilidade, sem ambição para crescer'', conta o autônomo, que oferece serviço de software de gerenciamento financeiro na área de saúde há três anos e meio, e já expandiu o negócio para vários estados brasileiros.
Para a consultora Maria Cristina Consalter, o perfil ousado de Medeiros é característica fundamental em um profissional com boa empregabilidade. ''Algumas pessoas se colocam diante da vida muito acomodadas. Se satisfazem com o básico, não querem enfrentar riscos. Os bons profissionais se diferenciam porque têm aspirações, ambição de chegar a algum lugar. A principal diferença está nessa visão. Enquanto uns olham o presente e não desgrudam do passado, outros reconhecem os aprendizados do passado, mas estão sempre ligados no presente e com um olho no futuro''.
Por isso, a principal dica da consultora é não se acomodar. ''O profissional não pode fazer de conta que se sente seguro em um emprego. Se você não correr atrás, não se qualificar, seu espaço se restringe. Fica difícil se projetar na empresa, receber convites melhores. É preciso ocupar um espaço e se desenvolver nele'', orienta.

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