Já faz muito tempo que os periódicos locais noticiam os constantes fechamentos do aeroporto local e os - enormes - constrangimentos causados pelos atrasos e, pior, cancelamentos de voos, perda de conexões, e um sem-número de outros problemas, pela inexistência de equipamentos adequados ao pouso e decolagem de aeronaves, nos dias em que as condições normais de operação encontram-se prejudicadas por fatores meteorológicos (alguns bem amenos).
A discussão sempre gira em torno da inexistência no aeroporto de Londrina do ILS (Instrument Landing System - sistema de aproximação por instrumentos, que dá uma orientação precisa ao avião que esteja pousando em determinada pista), cuja instalação permitiria equacionar a grande maioria dos problemas oriundos das condições do tempo, evitando, assim, os transtornos com os (já tradicionais!) atrasos e cancelamentos dos voos.
Administrado pela Infraero o aeroporto Governador José Richa é um dos maiores aeroportos do Sul do País. No entanto, esse status nunca foi o suficiente para que os prefeitos percebessem que (em que pese a atual administração esteja se empenhando para melhorar a situação) é fundamental que a própria prefeitura, assuma a busca de recursos (próprios inclusive) para que o aeroporto local possa se tornar uma referência para o país, granjeando maior espaço junto à iniciativa privada.
O fato é que qualquer grande cidade possui um aeroporto estruturado (e jamais poderemos ser considerados grandes se não possuirmos um!), porém, no caso de Londrina, não basta a ampliação da pista e a instalação de um ILS, para atingir tal objetivo, pois não é possível ficar na dependência dos parcos investimentos da Infraero, eis que, prestes a sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada, e não sendo uma das cidades beneficiadas, fica claro que outras serão as prioridades para a distribuição de verbas federais para o setor. Londrina precisa muito mais do que apenas isso!
A cidade já perdeu inúmeros investimentos (e continua perdendo) e segue dando margem para que outras cidades (como Maringá, por exemplo, cujo aeroporto é administrado pela iniciativa privada, foi construído pela prefeitura em parceria com o governo federal e estadual e busca aumentar sua competitividade no país em atração de cargas e passageiros) tomem um espaço que deve pertencer a Londrina, que vem deixando tal situação se alastrar demasiadamente.
É preciso enxergar que a prefeitura não deve medir esforços para tomar as rédeas da situação e liderar um movimento (com recursos do município inclusive) para que tenhamos não apenas uma pista maior e um ILS acanhado, mas sim um aeroporto de referência, que possibilite sermos um centro exportador, com um grande terminal, pois uma cidade com visão, sabe muito bem que, para se diferenciar das demais, necessita contar com uma estrutura a frente de seu tempo, para que Londrina não deixe de seguir a sua vocação de metrópole como os londrinenses desejam e precisam.
Caso contrário, continuaremos a perder investimentos, sempre à espera de ações da Infraero ou do governo federal, cuja conhecida demora, além de não possibilitar a edificação de um aeroporto de grande estrutura em nosso município, que permita abrir canais de desenvolvimento econômico e social, poderá demorar décadas, selando a derrota para as cidades concorrentes que já perceberam o diferencial que se obtém com uma grande estrutura aeroportuária.
Portanto, restando claro que, mesmo com a prometida instalação do ILS (qual modelo?) e do aumento da pista, nosso crescimento fica comprometido, insta convocar as lideranças locais para que, ao lado da prefeitura, Londrina faça investimentos de grande porte, não só para se tornar verdadeiramente competitiva, mas para usufruir das oportunidades de crescimento que o país vive atualmente.
WALTER BARBOSA BITTAR é advogado em Londrina

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