A decisão da Motiva, antiga CCR, de vender toda a sua divisão aeroportuária ao grupo mexicano Aeropuerto de Cancún (do grupo Asur), inaugura um novo capítulo na gestão de 20 terminais, sendo 17 no Brasil, entre eles o José Richa, de Londrina, peça importantíssima para a economia de toda a Região Norte do Paraná.

Trata-se de um negócio de grande porte, considerado pela própria empresa como a maior operação aeroportuária em curso no mundo. O valor da transação é de R$ 11,5 bilhões.

Mas a entrada de um novo operador, sobretudo um grupo que ainda não atuava no país, gera expectativas que precisam ser analisadas com serenidade e atenção.

Entre os terminais brasileiros, estão o de Foz do Iguaçu, São José dos Pinhais, Confins, em Belo Horizonte (MG) e Goiânia (GO). No exterior, a Motiva opera em Quito, no Equador, San José, na Costa Rica e Curaçao. A CCR havia assumido esses aeroportos em 2021, no ciclo mais recente de concessões.

Em março, a FOLHA publicou reportagem que adiantava a possibilidade do negócio, informando que a concessionária CCR estaria se preparando para se desfazer das 20 concessões.

Somados, os 20 terminais da divisão aeroportuária da Motiva representam um portfólio bastante expressivo: mais de 45 milhões de passageiros anuais e um Ebitda de R$ 1 bilhão em 2024, crescimento de 27% sobre 2023. São mais de 200 rotas regulares.

A venda foi confirmada na terça-feira (18) e no fato relevante divulgado pela Motiva, a empresa informou o valor de mercado de R$ 5 bilhões, mas o grupo mexicano também assumiu uma dívida de R$ 6,5 bilhões da atual concessionária.

A transferência de gestão não será imediata e o grupo mexicano só deverá assumir a concessão em 2026. A conclusão depende de aprovação do poder concedente e dos órgãos de defesa da concorrência.

Representantes da sociedade civil de Londrina ouvidos pela FOLHA reagiram com surpresa à notícia da venda, mas se mostraram mais preocupados com outra informação envolvendo o Aeroporto de Londrina e uma nota técnica da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

O documento traz parecer desfavorável ao ILS (Instrument Landing System, ou Sistema de Pouso por Instrumentos) do Aeroporto de Londrina e pede ajustes para que o equipamento possa funcionar. É mais um capítulo da novela que envolve o sistema, cuja inauguração está prevista para 10 de dezembro, no aniversário de 91 anos do município.

Essas últimas novidades mostram que o poder público e a sociedade civil devem continuar atentos às questões que envolvem a infraestrutura do Norte do Estado. Nesse cenário, a postura do executivo municipal também ganha relevância. Ao afirmar que as negociações são prerrogativa da iniciativa privada, a Prefeitura de Londrina transmite confiança no cumprimento dos prazos e das melhorias prometidas. Porém, essa confiança precisa ser acompanhada de monitoramento contínuo e atuação firme.

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