Aécio Neves e a meritocracia
O ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, deixou o mineirismo de lado, saiu do muro e surpreendeu pela contundência de suas declarações na entrevista publicada ontem pela revista Veja. Em primeiro lugar, assumiu ter orgulho de ser político; mostrou que não fará as vontades do seu partido e não será vice de Serra, preferindo o Senado, e criticou fortemente o governo Lula.
Mas, o que os paranaenses têm a ver com Aécio Neves, lá de Minas? É que Aécio é expoente da política; deixa o governo com 92% de aprovação. Além dele, Lula e Beto Richa, poucos governantes conseguem tal performance. A esses fatores, soma-se o fato de o neto de Trancredo ser figura determinante na campanha de José Serra à Presidência, mesmo não aceitando a condição de vice.
Na entrevista, Aécio foi duro com o PT: disse que o partido de Lula tem dificuldades históricas de se posicionar em favor do Brasil. Quando a prioridade do Brasil era a retomada da democracia, o PT negou-se a estar no Colégio Eleitoral. Se dependesse do partido, talvez o Maluf tivesse sido eleito presidente. Ao final da Constituinte, o PT recusou-se a assinar a Carta.
Sobre o sucesso de sua administração, Aécio defendeu o critério que usou em todos os projetos, a meritocracia. É preciso implantar a meritocracia na administração federal - defendeu. A outra pergunta, os desafios lançados pelo PT em comparar as administrações, Aécio disse: Gostaria muito de contrapor os resultados obtidos pela meritocracia com o messianismo daqueles que apenas fazem promessas e propagam a própria bondade. Quando você estabelece instrumentos de controle e consegue medir os resultados das ações de governo, você espanta os pregadores messiânicos. Eles fogem das comparações. Mas para ter resultados é preciso que se viva sob um sistema meritocrático.
Mas, o que significa ser meritocrático? Aécio responde: Significa que as pessoas da máquina estatal têm de ser qualificadas e não simplesmente filiadas ao partido. Perguntado sobre a proposta de Serra de acabar com a reeleição, Aécio respondeu que prefere um mandato de cinco anos, mas que pensar nisso, hoje, é difícil porque a reeleição incrustou-se na realidade.





