Ninguém melhor que os advogados para fazer um diagnóstico do Poder Judiciário e buscar uma forma de eliminar alguns problemas, sobretudo a lentidão das decisões. É isto que quer a Ordem dos Advogados no Paraná, ao lançar ontem esse projeto, que não tem obviamente a marca de intromissão mas o anseio de melhorar a eficiência do Judiciário, nas esferas federal e estadual e na área trabalhista. Até porque a Ordem tem, entre as obrigações legais, a de contribuir para o aperfeiçoamento desse Poder. O presidente da OAB-PR, Alberto de Paula Machado, declarou na Redação deste jornal que a intenção é que o projeto paranaense se estenda pelo País inteiro.
  As avaliações não serão genéricas mas apresentadas ponto por ponto, com notas avaliadoras de 0 a 5. Com efeito, apenas afirmar que a Justiça é lenta nada resolve, senão apontar onde é possível mudar e diligenciar para que essas mudanças realmente ocorram. Obviamente que devem entrar aí também propostas de mudanças de leis que tratam do ordenamento jurídico, porque os prazos elásticos demais, previstos na legislação, permitem as infindáveis procrastinações e assim as ações se arrastam, muitas caducando por decurso de prazo. Óbvio que isto não é justiça, invalidando o dito já sedimentado mas não tão verdadeiro de que ‘‘a Justiça tarda mas não falha’’. Terá a OAB que mobilizar também os Parlamentos.
  É uma tarefa árdua, mas afinal o redespertamento de uma instituição que já desempenhou papéis relevantes no passado, em defesa da democracia e das instituições, marcadamente no período discricionário de décadas recentes. São os advogados que freqüentam diariamente os fóruns - diz Alberto Machado - sabendo onde são bem atendidos, onde os processos andam bem, onde não andam, onde tem juiz, onde não tem. Enfim, eles são de fato os profissionais indicados - porque usuários permanentes - para fazer o raio-x desse organismo institucional.
  A Justiça não deverá, com isso, sentir-se invadida em seus domínios, embora eventuais focos de resistência, até porque já submetida ao Conselho Nacional de Justiça. O trabalho da OAB, se levado adiante com persistência e sem eventual recuo quando se operarem mudanças nos atuais quadros diretivos da Ordem, poderá ser de grande contribuição para o próprio Conselho e melhorar um dos setores que de há muito recebe críticas, pela elasticidade dos processos e que tornam em alguns casos a Justiça quase inócua. O Poder Judiciário, assim como o Ministério Público, prestam um serviço ao consumidor e estão também sujeitos a controle externo. E se os advogados avaliam a Justiça, é óbvio que também eles sabem que estão sujeitos a avaliações. É por caminhos como esses que se aperfeiçoa as instituições.

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