ADVERSIDADES NA PROFISSÃO - 'Coitadinhos' não têm vez
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Se você é daqueles que já acorda reclamando do expediente de trabalho que nem começou, dos colegas, da chefia e do excesso de atribuições, bem-vindo à cultura do 'coitadinho'. Para completar, se não consegue uma vaga de emprego ou o cargo não está à sua altura porque você merecia 'coisa melhor', é hora de rever conceitos. É o que aponta a coach Adriana Ferrareto. Em entrevista à FOLHA, Adriana, que é de Curitiba, aponta o equilíbrio em todas as esferas como solução para o processo de vitimização.
Diz-se que o marketing não faz um bom profissional, mas que um bom profissional faz um bom marketing. Afinal, como se posicionar no mercado de trabalho?
O posicionamento tem muito a ver com o autoconhecimento. Nesse sentido, primeiramente eu preciso entender quais são minhas potencialidades e os meus pontos a desenvolver e trabalhá-los. As esferas pessoais e de carreira são as áreas a serem trabalhadas. Adotando tais iniciativas, a pessoa consegue reduzir a distância - muitas vezes longa - de onde está e onde pretende chegar.
Mas as pessoas estão cientes de como lidar com essas questões de desenvolvimento?
Normalmente, quando a empresa tem a cultura desenvolvimentista, ela dá o norte para o colaborador se perceber. Há testes psicológicos, questionários e os gestores traçam, ao funcionário, um horizonte com avaliação de desempenho e indicadores que mensuram a qualidade do trabalho, esteja ele aquém ou não do potencial. Quando a empresa não tem essa cultura, tem que partir do colaborador não esperar que a empresa faça por ele. Ele mesmo tem de fazer a busca desse conhecimento, através de coaching, leitura, se percebendo para buscar seu desenvolvimento.
Entre o mudar e o se manter do mesmo jeito, adotando o papel de vítima, muitas vezes as pessoas optam pela segunda opção, não?
O papel de vítima sempre tem um ganho: não é que as pessoas gostem, mas é via de regra ser mais cômodo assumir esse papel. Com a vitimização, em vez de você assumir a culpa, atribui a culpa à empresa que trabalha, ao seu pai, sua mãe - como se tivesse herdado características funcionais e emocionais -, diferente de quando você assume o papel da responsabilidade, procurando saber qual sua parcela de ação sobre determinado assunto. Um exemplo: se você é demitido, você vai falar mal da política da empresa, da forma como foi demitido, e não em que contribuiu para sua saída da empresa. Mais do que gostar ou não, a pessoa deve perceber que ser vítima não é vantajoso. A vitimização tira o poder da pessoa de tomar as rédeas da própria vida.
Os profissionais que adotam o papel de 'coitadinhos' geralmente mais dão do que recebem. Como sair do processo de 'vitimização'?
Se for patológico, uma coisa doentia, a pessoa precisa efetivamente procurar ajuda terapêutica com um psicólogo, alguma coisa assim. Se for algo normal, como acontece com a maioria de nós, um bom começo é se questionar: qual tem sido minha postura diante das situações? Uma vez obtida a resposta, é hora de segurar o touro pelos chifres.
Mas é possível 'ligar' e 'desligar' as emoções na velocidade da luz?
Eu não acredito num botão de 'liga' e 'desliga' e da porta da dentro do trabalho você é uma outra pessoa. Não existe uma fórmula de bolo, por isso que alguns livros de auto-ajuda não ajudam. Trata-se de uma solução do autor. Para uma pessoa estar equilibrada emocionalmente, ela tem que estar bem em todas as áreas: da saúde ao networking e à espiritualidade. Não adianta ter MBA, falar cinco, seis idiomas se todas essas áreas da minha vida não tiverem sido observadas. Posso ser o melhor profissional de dentro pra fora, colocando o discurso em prática. É uma ótima iniciativa.


