Um garoto que veio trabalhar no jornal, há 40 anos, na então existente tarefa de carregar matérias da redação para as oficinas, perguntou, perplexo, depois de alguns dias de trabalho: ‘‘Como é que vocês conseguem encher plenamente as páginas de cada edição?’’ Ele via o monte de matérias descendo e, no dia seguinte, o jornal estava ‘‘redondinho’’.
Explicaram na época do mesmo modo que se explica hoje: há uma disponibilidade tremenda de material para o trabalho dos editores. Agora como no passado, define-se pela importância. E a grande tarefa do editor é, precisamente, a de selecionar entre tudo o que recebe (das agências, dos repórteres ou dos correspondentes) o principal para o leitor.
O desafio é grande e requer, muitas vezes, debate entre os editores na escolha, notadamente, da matéria principal, a manchete, e também das outras que serão apresentadas ao público.
A conclusão é clara: o editor é o jornalista mais bem informado do assunto de sua editoria e sua principal tarefa, a cada dia, é a de repassar o melhor, tendo sempre uma preocupação em não levar ‘‘furo’’ (o que seria deixar de fora um assunto de interesse maior).
Esta preocupação diária, a vontade de não errar, de garantir ao leitor o que mais lhe interesse é, sem dúvida, uma das causas do stress de muitos jornalistas. Mas é, também, pura adrenalina para o profissional.
Estelio Feldman
Editor de Mundo

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