Adotar providências para evitar nova greve
A greve dos servidores municipais de Londrina foi se esvaziando e, afinal, a maior parte dos grevistas voltou ao trabalho. Na soma de resultados positivos para eles, o movimento resultou inútil, porque nenhum benefício foi obtido, havendo ao contrário o risco de perda dos dias parados. O que houve foi apenas prejuízo para a comunidade, que durante 100 dias teve seus atendimentos prejudicados. Ontem o acesso do público à Prefeitura foi liberado e o fluxo dos serviços começou a voltar ao normal. O sindicato - que capitaneou a paralisação e ainda mantém uma minoria de servidores em estado de greve - sai desgastado do episódio, porque a opinião pública vinha se manifestando contra a prolongada intransigência dos militantes mais radicais, que persistiram em não admitir a impossibilidade de a Prefeitura dar, no presente exercício, o aumento salarial pleiteado. Foi preciso intervenção judicial para que os grevistas voltassem ao trabalho, porque não houve diálogo entre as partes em litígio e apenas pronunciamentos isolados do presidente do sindicato e do prefeito. O murmúrio da população é que os servidores lhe sonegaram serviços nesse longo período e que saem devedores. O desgaste gerado por essa greve deve ao menos servir para que o poder público se articule para o que virá pela frente. Porque a reivindicação de melhoria salarial certamente continuará no próximo exercício, e se ela for justa, necessitará da atenção do prefeito e da provisão dos meios. Esta é uma questão com indício de que continuará pendente e terá de ser enfrentada, porque os servidores irão, certamente, manter a posição de obter aumento nos salários. O caminho sensato é o de buscar por todas as formas o entendimento e não o ''diálogo'' dos surdos-mudos, como agora aconteceu. Será uma repetição de erro pensar novamente em paralisação, porque isto seria uma afronta à população. O sindicato, os servidores, o prefeito e por extensão também a Câmara de Vereadores - que não pode ficar alheia a questão tão relevante - têm uma responsabilidade com os munícipes e devem desde agora debruçar-se sobre este problema, que não cessa com o fim da greve. Seria ingenuidade imaginar que uma luta por melhor salário irá se extinguir só porque a primeira batalha não foi ganha. Se o aumento não pode ser dado agora - pois isto seria infringir à Lei de Responsabilidade Fiscal, conforme o argumento do prefeito desde o primeiro dia da greve - será preciso reduzir gastos em setores não essenciais e prover-se dos meios para atender a esse pleito, que cedo ou tarde voltará a manifestar-se.





