Adolescentes X Telefone Nesta briga, perde quem paga a conta
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sábado, 17 de agosto de 2002
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba Adolescente e telefone. Uma relação que acaba tirando os pais do sério. A linha vive ocupada e a conta telefônica, no final do mês, é de amargar. Quem não tem uma filha na idade entre os 12 e 17 anos que fica pendurada horas a fio no telefone já deve ter, ao menos, testemunhado o lamento de um vizinho, amigo ou parente que enfrenta o problema em casa.
Algumas vítimas da obsessão da adolescência pelo ''aparelhinho'', que não conseguiram resolver o conflito na base da conversa, apelaram para medidas mais radicais. Esse foi o caso de Patrícia Jorge de Andrade. Duas filhas adolescentes em casa Priscila e Ângela e os gastos com telefone que chegavam a R$ 450,00 por mês. Resultado: pediu à companhia telefônica para bloquear as ligações. O telefone de sua casa apenas recebia as chamadas e assim ficou por três anos. Patrícia chegou a calcular a média diária em que o telefone foi usado e chegou a conclusão de que ficava praticamente o dia todo ''no ar''. ''Eram 23,5 horas por dia'', conta.
Faz cerca de três meses que Patrícia resolveu dar uma trégua e desbloqueou o telefone. Apenas Ângela, 17 anos, continua morando com ela e o marido. Achou que ficaria mais fácil controlar, mas este mês levou um susto a conta do telefone somou R$ 240,00. O que mais pesou na fatura foram as ligações para celular. ''Acho que foi por causa do namorado. Eles vivem brigando por telefone'', disse Patrícia.
O telefone na casa de Patrícia, de fato, não pára. ''Quando Ângela chega em casa, a primeira coisa que faz é ir direto para o telefone e assim fica o dia inteiro ligando ou recebendo ligações das amigas'', conta a mãe. ''Não sei o que tanto conversam'', brinca. Na verdade, Patrícia sabe sim, já que a marcação é cerrada para cortar a conversa quando o tempo de uso da linha telefônica passa dos limites.
Apesar da cobrança diária para que Ângela desgrude um pouco do telefone, Patrícia tem certeza de que o bate-papo com as amigas é inocente. ''Ficam falando de meninos, que foi mal na prova ou 'meu pai brigou comigo'. Ela não me esconde nada.''


