Curitiba Depressão ou pura falta do que fazer? Para o psicoterapeuta familiar e neurologista, Mário Negrão, a compulsão do adolescente pelo telefone pode estar relacionada a distúrbios psicológicos ou a fatores sociais.
Na visão psiquiátrica, ele acredita que não só o uso do telefone, mas também os bate-papos virtuais pela internet e o interesse pela enxurrada de ''reallity shows'', que invadiram a televisão brasileira, seriam um indicativo do comportamento depressivo, que atinge percentual considerável de adolescentes.
Negrão não tem conhecimento de estatísticas da população jovem do Brasil que sofra de depressão. Cita o exemplo dos Estados Unidos, onde 3% dos habitantes apresentam os sintomas da doença. Considerando que 70% dos americanos estão abaixo dos 40 anos de idade, o número de adolescentes inseridos nessa condição deve ser bastante expressivo. As estatísticas brasileiras, supõe o médico, não devem ser muito diferentes.
Os jovens com depressão normalmente apresentam comportamento obssessivo-compulsivo, explica o psicoterapeuta, e tendem a ''virtualizar o mundo''. ''Esse comportamento faz parte da auto-estima baixa'', acrescenta.
Numa avaliação mais simplista, Negrão acredita que os adolescentes de hoje têm tempo de sobra para fazer nada e, por isso, apegam-se à televisão, ao telefone ou à internet.
O psicoterapeuta culpa o sistema educacional pela ociosidade dos adolescentes. ''Eles deveriam entrar na escola de manhã e sair só no final da tarde. Assim não teriam tempo para ficar pendurado no telefone'', afirma.
Para o médico, o problema se agrava entre os jovens de classe média-alta, uma vez que, sem precisar trabalhar e cercado de todos os bens materiais, eles não têm o menor estímulo para sair de casa. ''E é essa geração de adolescentes deprimidos que se tornarão futuros adultos deslocados'', avaliou.

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