Adolescentes se interessam, mas não participam
A Folha entrevistou cinco jovens e adolescentes sobre o interesse que as colunas de consulta sobre sexo despertam. Todos os entrevistados admitiram que lêem os artigos sobre o assunto, assistem ou ouvem os programas, mas nunca ligaram ou escreveram fazendo perguntas. Para estes meninos e meninas, as colunas têm um papel importante, mas são apenas mais uma de suas fontes de informação. Profissionais de saúde, parentes mais velhos e amigos mais experientes são as fontes preferidas.
''Nunca escrevi para estas colunas. Costumo esclarecer as minhas dúvidas com a médica que me atende desde os 12 anos, quando menstruei pela primeira vez. Tenho vergonha de conversar sobre certos assuntos com a minha mãe. Ela é meio fechada e parece que não me entende muito bem. Também converso muito com meu namorado e com minhas amigas. Gosto de ler as colunas de consulta por brincadeira, para rir das perguntas que as pessoas fazem.'' (N. V., 18 anos)
''Não escrevo, mas leio muitas revistas e livros para esclarecer minhas dúvidas. Até os 18, 19 anos, eu ia à pediatra e perguntava muita coisa a ela. Mas aí fiquei grávida, e hoje converso tudo com o meu ginecologista. É difícil falar com a mãe da gente sobre determinados assuntos porque envolve muito o lado sentimental. Sempre conversei muito com pessoas mais velhas, acho que sempre tive bastante informação. Leio as colunas por curiosidade, mas elas são muito repetitivas.'' (M. C. A. R., 20 anos)
''Costumo ler as colunas de consulta, mas nunca enviei perguntas. Algumas respostas são muito complexas, principalmente quando escritas por médicos. Por outro lado, outras são superficiais, não respondem tudo o que a pessoa poderia saber. Eu sou muito curiosa, e quando tenho alguma dúvida esclareço com minha mãe, na internet ou com professores. Depois que minha filha nasceu, passei a perguntar muita coisa para meu médico.'' (T. S. S., 19 anos)
''Eu gosto de ouvir aqueles programas ao vivo no rádio, em que as pessoas ligam. Eu nunca cheguei a telefonar, porque sou muito tímido. Mas tem muitas perguntas que eu gostaria de fazer, e aí aproveito para ouvir as respostas. Estes programas ao vivo, que fazem aquela ''zoeira'' são os que eu mais gosto. Algumas dúvidas eu esclareço conversando com meus pais, ou então na internet, que é uma mão-na-roda.'' (Z. E., 17 anos)
''Ouço muito os programas como 'Pânico' e 'Torpedo', da Rádio Jovem Pan. Já pensei em ligar algumas vezes, mas aí outra pessoa acaba ligando e fazendo a pergunta que eu ia fazer. Como eu sempre tive amigos mais velhos, esclarecia minhas dúvidas com eles, ou então com minha irmã, que também é mais velha que eu.'' (V. L. M., 22 anos)





