Adolescentes e violência
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de janeiro de 2003
Mário Eugênio Saturno 
Os resultados da mais ampla pesquisa feita nos Estados Unidos sobre adolescentes mostram que a família, a escola e a igreja desempenham um papel importante na proteção da juventude contra o uso de álcool, cigarro e maconha, bem como violência, suicídio e sexo precoce.
A Add Health (National Longitudinal Study of Adolescent Health) entrevistou 90.000 estudantes na primeira fase e, na segunda fase, 20.000 estudantes e seus respectivos pais. Confirmaram o que todos nós já intuíamos: os adolescentes afetivamente ligados aos pais e satisfeitos com o relacionamento familiar são menos propensos a comportamentos que prejudiquem sua saúde. Assim, a família continua sendo o local ideal para ter e criar filhos. E cabe a cada um a manutenção do bom relacionamento familiar.
O estudo achou muitos adolescentes tendo em seus lares fácil acesso a cigarro, maconha, álcool e armas. Esse é tipo de lar onde acontecem os maiores usos dessas substâncias, mais comportamentos violentos e pensamentos e tentativas de suicídio. E se o jovem trabalha 20 horas ou mais por semana, o que ocorre com 20% deles, a situação piora. Depois dessa, está na hora dos pais modernos repensarem sua moral e liberdade de educação de suas crianças.
Nos EUA, 3,5% de todos os adolescentes tentaram o suicídio em 1997, um quarto deles eram fumantes, um sexto bebiam álcool, quase um terço fumavam maconha. Entre os que cursavam a sétima e oitava séries, 16% deles tiveram experiências sexuais precoces, entre os que cursavam o colegial, o índice era de 48,5%.
Como se vê, o sexo precoce não é bom para a saúde física e mental dos jovens. E, hoje, com a televisão mostrando tudo a todos e ''vendendo'' sua moral (ou imoral), os pais, professores, padres, pastores e líderes comunitários devem estar comprometidos com um melhora de nossos meios de comunicação.
Atenção pais, deixem os preconceitos de lado e comecem a conversar com seus filhos sobre sexo, diretamente e sem rodeios. Para que o relacionamento com seus filhos não fique somente na bronca, procure conviver mais com eles, tenha uma atitude mais positiva e amigável e diga claramente a eles o que você quer e o que não quer, sem indiretas. A pesquisa mostra que isso ajuda muito mais que se calar.
MÁRIO EUGÊNIO SATURNO é tecnologista sênior da Divisão de Sistemas Espaciais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), professor da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Catanduva (SP) e congregado mariano


