São Paulo O primeiro filho veio aos 14. Dois anos depois da chegada de Jhonatan, nasceu o segundo, que não resistiu a uma broncopneumonia e morreu aos quatro meses de vida. Um ano depois, aos 17, chegou Paulo Henrique, hoje com 7 anos. Daqui a três meses, o garoto perderá o posto de caçula para um novo irmão. Ou será uma irmã? Telma ainda não sabe.
Telma Rosa de Alcântara, 24 anos, mora em Taboão da Serra, na região da Grande São Paulo. Durante a adolescência, ela engrossou as estatísticas que apontaram um crescimento na taxa de fecundidade entre as brasileiras de 15 a 19 anos - movimento que ainda se verifica e preocupa especialistas.
O Censo de 1991 registrou que 8,7% das mulheres nessa faixa etária haviam tido filho no ano anterior à pesquisa. Em 2000, o índice subiu para 9,1%. Esse crescimento vai na contramão da queda na taxa de fecundidade registrada desde a década de 60 no País. Há quarenta anos, pesquisas indicavam uma média de 6,3 filhos por mulher. Em 1991, o número estava em 2,9, e o último Censo (2000) corroborou a tendência ao declínio no índice, marcando 2,35 filhos por mulher.
A situação é ainda mais preocupante quando se consideram todas as adolescentes que têm filhos (e não apenas aquelas que deram à luz doze meses antes). A Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde (PNDS) do Ministério da Saúde realizada em 1996 revelou que 18% das brasileiras entre 15 e 19 anos haviam ficado grávidas ao menos uma vez.
O estudo demonstrou ainda que a taxa de fecundidade entre as adolescentes mais pobres é duas vezes maior do que entre as mais ricas. O dado vem sendo encarado de uma forma diferente por especialistas. Se, antes, a explicação residia na falta de informação dos jovens de classes baixas, hoje ela não convence mais, e mesmo o acesso restrito aos métodos contraceptivos começa a ser considerado fator influente, mas não determinante da gravidez precoce.

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