Não é raro deparar-se com pais que sofrem com as atitudes rebeldes e inesperadas dos filhos adolescentes. Nessa fase, as mudanças são visíveis tanto no aspecto físico quanto no psicológico.

A hebiatra - especialista em adolescentes - Mônica Mulatinho afirma que a rebeldia é uma forma de o adolescente mostrar que alguma coisa não está bem. Segundo ela, carência afetiva, baixa autoestima e falta de limites podem levar o jovem a comportamentos de risco. De acordo com a especialista, a maior herança que os pais podem deixar aos filhos é a autoestima.

Por que os adolescentes ficam tão suscetíveis à rebeldia?
Em geral, quando a criança ou o adolescente torna-se mais questionador e rebelde tem alguma coisa acontecendo. Toda rebeldia demonstra que algo não vai bem nas relações, na escola ou em casa. Também pode ser reflexo de situações de violência, abuso, humilhação, rejeição, indiferença e abandono. O adolescente por meio da rebeldia está comunicando que alguma coisa não está legal.

Então não existe o rebelde sem causa?
Nunca. Nada acontece sem causa. A falta de limite, de comunicação na família e de atenção podem causar rebeldia. Não é possível manter a aparência tendo filhos crianças e adolescentes, pois eles mostram se alguma coisa está acontecendo. Tem filho que verbaliza o problema, já outros não.

Nessa fase, muitos adolescentes se inserem em tribos urbanas, como a dos punks, emos e góticos. Por quê?
Não existe uma causa única. Um dos fatores que pode ocasionar a inserção nas tribos é não ter um sentimento de pertencimento na família. Se o adolescente não se sente aceito, ele procura uma outra ''família'' para ser valorizado. Eles procuram grupos para terem o afeto e a consideração que não têm em casa.

Nesses casos, como os pais devem agir?
Primeiramente é preciso descobrir a causa e tratá-la. Em alguns casos, é muito útil a presença de um terapeuta de família. No entanto, existem cinco atitudes que ajudam os pais. A primeira é separar o filho do comportamento, deixando claro que você ama seu filho, mas não gosta do comportamento dele. É importante sempre repetir: ''eu te amo, mas não aceito a droga, a mentira e o desrespeito, por exemplo''. A segunda atitude é definir pontuais na família, trabalhando a autoridade e não o poder. A autoridade é uma relação legítima, que se baseia em dois pilares: a hierarquia e a afetividade. Sempre frisar ao filho: ''eu sou sua mãe, o amo muito e é por isso que eu não quero que você faça tal coisa''. Terceira atitude é falar em primeira pessoa. Por exemplo, é importante dizer ''eu me sinto extremamente chateada'' e não ''você me chateia''. É a mesma coisa, mas quando ao falar em primeira pessoa abre-se espaço para uma conversa. A quarta atitude é a do elogio, sempre reconhecendo uma qualidade do filho. A quinta atitude é o abraço de corpo inteiro e mãos cruzadas.

Muitos adolescentes fazem parte de comunidades na internet que estimulam a rebeldia e atitudes criminosas. Como os pais devem lidar com isso?
A internet pode ser um forte aliado dos pais. Recomendo que os pais gravem as conversas dos filhos na internet e supervisionem o que eles fazem na rede.

Mas isso não seria uma invasão de privacidade? Os pais têm esse direito?
Privacidade é para quem pode e não para quem quer.

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