Um adolescente de 17 anos, acusado de traficar drogas em São Paulo (SP), está cumprindo pena de liberdade assistida na Missão SOS Vida, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. O garoto, que a Folha vai identificar apenas como T.R.A., começou a vender drogas com 13 anos. Ele andava com um grupo de traficantes de São Paulo e vendia desde crack e maconha até cocaína e haxixe. A facilidade de comercializar a droga fez com que ele se envolvesse cada vez mais com o mundo do crime. ''Eu sabia que podia escolher meus horários. Quanto mais eu vendesse, melhor seria para mim. Eu recebia pacotes fechados. A cada 20 que eu vendia, ganhava seis para comercializar e fazer meu lucro'', conta.
O líder da quadrilha controlava tudo de dentro de uma penitenciária em São Paulo. O traficante em São Paulo não pode ser usuário da droga. ''Aos 16 anos cometi a besteira de começar a usar a cocaína. Eu me arrependo muito. O usuário que trafica é mal visto pelo grupo. Foi aí que os policiais civis começaram a me pegar em flagrante. Na primeira vez fui liberado depois de dar uma grana para os tiras. Mas as coisas foram ficando piores até que acabei preso.''
Ao contrário da maioria dos internos da Missão SOS Vida, o adolescente tinha uma família estruturada. No entanto, a mãe não conseguiu ter domínio sobre ele. Apenas quando a Justiça o chamou é que ele percebeu que poderia ter que ficar internado por três anos em Unidade de Internação de São Paulo. ''Minha mãe me falou que tinha uma casa em Colombo que podia me ajudar. Eu resolvi enfrentar e preferi ficar internado em um abrigo do que ter que cumprir pena. Agora quero limpar meu nome. Assinei um termo de arrependimento. Sonho em arrumar um emprego e reconstruir minha vida em Curitiba. Não volto mais para São Paulo.''
Esse é apenas um dos casos de internos em recuperação da Missão SOS Vida. A presidente da instituição, Walquíria Fernandes, tem atualmente 15 crianças e adolescentes em tratamento. Dos internos da Missão SOS Vida, 90% tiveram problemas com furto ou roubo e 99% com drogas. ''As crianças geralmente são fruto de lares desmontados. A maioria deles é literalmente abandonada. É como se a criança fosse uma carga. Os pais se livram do problema com a criança nas ruas'', explica. Walquíria conta a história de um menino que está internado na missão. A mãe resolveu se casar de novo e deixou que ele fosse viver nas ruas. Ele teve problema com as drogas e foi encaminhado para a Missão SOS Vida para tratamento. Quando ele se recuperou, a missão tentou procurar a família. A mãe dele ficou revoltada e não quis recebê-lo. O garoto tem apenas 14 anos. ''Ela não quer ninguém incomodando o novo relacionamento. Acha que o menino será uma carga.''
O índice de reincidência dos meninos de rua que fazem tratamento no local é pequena. A entidade cataloga apenas os casos dos meninos que ficam mais de um mês em tratamento. Até hoje foram 25. ''Em um ano e meio nossa perda foi de cinco meninos. Esses voltaram para as drogas e o furto. É como se eles nem tivessem passado por aqui'', lamenta. A missão vive de doações. Informações pelos telefones (41) 562-2033 e (41) 233-4498.

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