A operação Adolescência Segura, desencadeada pela Polícia Civil de oito estados na terça-feira (15), mostrou como o ambiente digital representa uma séria ameaça para a integridade física e psicológica de crianças e adolescentes.

Policiais do Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Rio Grande do Sul cumpriram mandados de prisão temporária e de busca e apreensão, além de internação provisória contra adolescentes infratores.

Os delitos praticados pela quadrilha desbaratada pelos policiais civis são de extrema gravidade e incluem crimes de ódio, tentativa de homicídio, instigação ao suicídio, maus-tratos a animais, apologia ao nazismo e armazenamento e divulgação de pornografia infantil.

Também participou da operação Adolescência Segura integrantes do Ciberlad (Laboratório de Operações Cibernéticas) da Secretaria Nacional de Segurança. Dois homens foram presos e dois adolescentes, apreendidos.

A operação é resultado de uma série de investigações que começaram em fevereiro deste ano, depois da divulgação, ao vivo pela internet, de um ataque cometido por um adolescente contra uma pessoa em situação de rua. Na agressão, o jovem lançou um coquetel molotov contra a vítima, que estava dormindo e teve 70% de seu corpo queimado.

A polícia constatou que o ataque ao morador de rua não foi isolado e que os administradores do servidor que veiculou o vídeo do crime faziam parte de uma organização criminosa especializada em crimes cibernéticos.

Segundo a polícia, a atuação do grupo se dava em diferentes plataformas digitais, sempre manipulando psicologicamente crianças e adolescentes, aliciando-as.

A utilização da internet para disseminar ódio e violência não é novidade. Mas chamaram a atenção as táticas e o envolvimento dos adolescentes e crianças não apenas como vítimas, mas também como agentes dos atos criminosos.

A operação se desencadeia semanas depois que a Netflix lançou a série "Adolescência", fenômeno mundial de audiência que retrata a história de um menino inglês de 13 anos acusado de matar a facadas uma colega de escola.

A série aproxima o telespectador da história porque mostra um garoto de uma família comum, que tem pais amorosos que acreditam que o filho está seguro em casa, no quarto, mexendo no celular ou no computador.

O nome da operação já aponta o caminho para a necessidade de que os jovens precisam estar seguros frente aos perigos apresentados pelo ambiente digital e as medidas vão muito além da repressão. A prevenção também é necessária a partir de uma boa educação digital, da supervisão familiar e do fortalecimento da regulamentação de plataformas virtuais.

A sociedade precisa estar mais alerta e comprometida em proporcionar um ambiente digital mais pacífico e seguro para crianças e adolescentes.

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