Uma das frases lapidares do prefeito Milton Ribeiro Menezes, personagem central de reportagem publicada ontem neste jornal, era de que uma boa administração pública se faz 20% com dinheiro e 80% com vontade política. Com efeito, em seus dois mandatos na década de 50 e começo da de 60 e em cujo intervalo foi também vereador e presidente da Câmara ele administrou com maestria e conseguiu implantar infra-estruturas sólidas que ordenaram rumos bem definidos da cidade, vigorantes até hoje. Seguidor do prefeito Prestes Maia, da capital paulista, ele foi buscar no exemplo da grande cidade algumas fórmulas, entre elas a que se converteu na célebre Lei 133, disciplinadora do zoneamento e dos loteamentos urbanos. Municípios da região viriam também a copiar esse modelo de lei. Menezes implantou encanamentos de esgoto, obras subterrâneas que não apareciam e não proporcionavam marketing político, mas o prefeito pensava necessidades fundamentais e soluções para o futuro. A população sabia, tanto que o reelegeu em seguida, e em sua primeira gestão o município de Londrina foi classificado como um dos cinco mais bem administrados do Brasil. Avaliação do Instituto Brasileiro de Administração Municipal. O entendimento de fazer coisas sobretudo com vontade política era um de seus sábios atributos. Uma política que tem validade até os nossos dias, mas a maioria dos administradores públicos passa pelo poder com poucas realizações que não precisam necessariamente ser obras físicas, mas medidas estratégicas mesmo tendo dinheiro. Uma clara evidência de que lhes falta firme determinação para tomar decisões. Desperdício de tempo no comando de um município é também uma forma de causar prejuízo à comunidade. Corrupção, então, é algo ainda mais nocivo e que ocorre de forma clara e às vezes subjetiva e imperceptível. É um virus que viceja onde há dinheiro alheio. Tomar certas decisões significa, no mais dos casos, apenas ordenar e acompanhar a execução das ordens dadas. Bons administradores públicos, ademais, têm o dom de aglutinar e mobilizar a sociedade e assim criam vigorosa sinergia, que rende resultados e custo pouco dinheiro. Grandes conquistas de Londrina foram alcançadas pelo trabalho conjunto de suas lideranças comunitárias, eventualmente capitaneadas pela figura política do prefeito, outras vezes não, porém sempre contando com a participação do poder público municipal e, por extensão, de outros poderes. Milton Menezes era um bom negociador e homem inteligente, tanto que ia beber do conhecimento de prefeitos como Prestes Maia, um dos mais operosos da metrópole paulistana, comparecia com a frequência necessária ao palácio do Governo em Curitiba e trazia para cá os governadores. Era um político hábil e bom administrador. A boa vontade era seguida de decisiva voz de comando e do policiamento da execução, e assim as coisas aconteciam, e com muita retidão. Mais de metade das realizações das administrações municipais ocorrem pelo simples determinismo de fazer, com garra e persistência, mesmo com recursos escassos. Mas se falta essa impulsão, que é atributo de pré-determinados, nem o dinheiro resolve.

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