Sistemas são burocráticos, lentos e atrasados

Cidades estão crescendo mais rápido do que nunca





Curitiba - Autor de cinco best-sellers sobre a interseção de ciência, tecnologia e experiência pessoal, Steven Johnson acredita ter encontrado o caminho para que os administradores municipais busquem a inovação. Curiosamente, as fontes de inspiração do professor da Universidade de Nova York são extremos: um ecossistema natural, como um recife de coral, ou a plataforma de um software aberto para internet.

Atualmente ele está escrevendo um novo livro com o tema da inovação, que será lançado no segundo semestre. No ano passado, escreveu o artigo principal da revista ''Time'' sobre a relação entre a rede social e o crescimento da inovação que acontece hoje. Em recente visita a Curitiba, Johnson deu palestras, participou de uma conferência internacional e concedeu a seguinte entrevista à FOLHA.

Qual é a ligação entre uma cidade e um organismo vivo?
Eu acho que existem várias ligações. No livro que estou terminando de escrever eu olho especificamente para essa questão da inovação. A ideia é que existem alguns padrões que aparecem seguidamente em sistemas que são muito inovadores. E esses sistemas podem ser cidades ou podem ser ecossistemas. Um exemplo que eu uso é o recife de coral, que é biologicamente bastante inovador. Nós podemos ver todas essas formas de vida que são criadas no recife de coral e as cidades têm uma propriedade semelhante. Pode haver um milhão de negócios, várias coisas loucas e ideias criativas. O que eu faço é procurar os padrões parecidos nesses dois ambientes porque, quando entendemos esses ambientes, podemos entender melhor como a inovação acontece em geral.

Como os governantes podem usar esses exemplos para administrar as cidades?
Eu acho que eles têm uma ótima oportunidade. Governantes em geral não são conhecidos como particularmente inovadores. Sistemas são frequentemente marcados por serem burocráticos, lentos e atrasados. Mas, o que é comum tanto às cidades como aos recifes é que eles criam uma plataforma que é aberta para que todo mundo possa se desenvolver nela ou construir algo nela. E não é controlado de uma forma hierárquica. Os softwares também trabalham assim, é por isso que a internet é assim. Então, os governos municipais precisam pensar naquilo que fazem como uma plataforma de software, por exemplo. Eles têm todas essas informações, todos esses dados que estão disponíveis. Se eles criassem um espaço público onde as pessoas pudessem chegar, usar esses dados e criar ferramentas para interagir com eles. Então o fardo da inovação não está nos governos, mas em todas as outras pessoas. Existem muitas boas ideias dentro dos governos, mas existem mais ideias no público em geral, apenas porque são mais pessoas (tendo ideias). Então, se os governos querem ser inovadores eles precisam usar ferramentas e softwares - há muitos na internet - que permitem que essas ideias de fora do governo tenham algum impacto ou sejam amplificadas de alguma forma.

O senhor vem dizendo que esse é um momento muito ''excitante''. Por quê?
Existem muitas razões. Talvez a principal seja que há uma velha previsão feita nos primeiros dias da internet que ela deixaria as pessoas menos interessadas nas comunidades do mundo real. Já que todo mundo poderia se telecomunicar de casa, ninguém se importaria em morar nas cidades grandes. E acontece que isso estava exatamente errado. As cidades estão crescendo mais rápido do que nunca e toda a tecnologia da internet e a tecnologia de localização, como o GPS, acabaram sendo extremamente úteis nas áreas urbanas mais densas. Estamos em um momento em que podemos pensar como uma cidade em rede digital seria. Tem tantas pessoas interessantes trabalhando nessa questão e temos agora várias dessas plataformas se unindo, como a tecnologia de localização, redes sociais e programação para ambientes na internet aberta. Se colocarmos esses três juntos, temos um universo de coisas que nem imaginávamos antes. E será possível construir isso nos próximos 20 anos. Eu sou muito entusiasmado com tudo isso. Quando se falava disso há cinco anos, tinha que convencer as pessoas. Agora, acho elas pensam: ''É para cá que precisamos ir''. Não chegamos ainda, mas estamos quase lá.

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