Adeus, primeira classe
O assunto já vem sendo alvo de discussão no governo Michel Temer desde o ano passado. Se a ordem é segurar os gastos públicos, nada explica as viagens de primeira classe liberadas para autoridades e servidores do governo federal. O avanço chegou nesta semana, quando o Palácio do Planalto divulgou que proibiu a compra de passagens na primeira classe e na executiva em viagens a serviços, no Brasil e no exterior. A proibição consta do Decreto 9.280/2018, publicado na última quarta-feira (7). Pelo decreto, todos os servidores públicos federais - incluindo as autoridades - somente viajarão a serviço em voos da classe econômica. O normativo altera a Lei 5.809/1972, regulamentada pelo Decreto 8.541/2015. Segundo o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, antes do decreto, ministros e ocupantes de cargos de natureza especial do Executivo Federal, comandantes e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas podiam viajar na classe executiva em voos internacionais; já o presidente e o vice-presidente da República podiam voar na primeira classe. A informação extraoficial é de que os servidores e autoridades que quiserem voar com regalias devem pagar a diferença de seu próprio bolso. A medida é justa diante dos ajustes promovidos pela equipe econômica e é exemplo para estados e municípios que também precisam apertar o cinto. O gasto com viagens aéreas é assunto também nos Estados Unidos. Por lá, tem secretário de Donald Trump gastando R$ 400 mil dólares com aluguel de avião particular. Viagens que viraram caso de investigação na Câmara dos Deputados daquele país. Nos Estados Unidos ou no Brasil, como explicar à população gastos exorbitantes com viagens de primeira classe ou uso indevido de aeronaves da Força Aérea ou aluguel de jatinhos. É uma contradição, diante de tantas medidas que o poder público coloca para equilibrar o orçamento e que impactam no bolso do contribuinte. Agora, os políticos poderão passar mais tempo próximos do povo. Outro ponto a favor do decreto.





