Imagem ilustrativa da imagem Adeus,  dom Albano
| Foto: Pastoral da Comunicação Arquidiocese Lon



Sepultamos dom Albano. Seu enterro foi um triunfo. Por quê? Porque muito amou e foi muito amado. Nele o amor de Deus e ao próximo era visível, palpável, comprovado. "Vimos Deus no homem Albano." Ele mesmo confessava: "Fui paparicado por Deus." Ainda mais: "Deus me amou de modo exagerado".

Obrigado dom Albano, por ser um "milionário em humanismo", isto é, bom, humilde, afável, sensível. Cativou-nos com seu jeito simples e nobre, sábio e alegre, cheio de ternura como um pai misericordioso e profeta corajoso.

Obrigado dom Albano, mestre dos catequistas, amigo dos pobres, confessor paciente, conferencista atraente, conselheiro prudente, pregador cativante, formador de seminaristas, orientador de retiros, pastoralista criativo. O senhor conseguiu alcançar o que tanto desejou: "Ser um jesuzinho". O senhor glorificou em sua vida a "dom Jesus", como gostava de chamar o Filho de Deus.
Obrigado dom Albano pelo seu bom humor. Ríamos tanto quando dizia que era bem cuidado por nós e tinha uma "vida de marajá".

O senhor sempre repetia: "Sou um bispo metido." Nada de metido, o senhor era perspicaz, entusiasmado, missionário vibrante, tinha visão da realidade. Em Curitiba, o senhor foi o "padre pop star". Era tão agradável ouvi-lo dizer que todos nós fizemos a "faculdade de safadologia". Quantas vezes o senhor oferecia sua contribuição na solução dos problemas dizendo: "Deixa-me colocar pó de mico nesta conversa". Como a gente sorria ao ouvi-lo dizer que se assustou ao ver que Paris era maior que Lapa, sua cidade de origem.

Obrigado dom Albano, implantador do Concílio Vaticano II no Paraná, visitador de presos políticos, defensor dos pobres e dos indígenas, orientador dos universitários, denunciador da corrupção e do "jeitinho brasileiro" na política, inovador da catequese, incentivador da vinda da PUC-Paraná para Londrina, da Toca de Assis, do Ministério Público e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do processo diocesano da beatificação de Madre Leônia, da construção do Centro de Pastoral.

Obrigado dom Albano, criador do "Dia da Palavra", torcedor dos Grupos Bíblicos de Reflexão e das Santas Missões Populares, missionário incansável até o fim. Tinha planos evangelizadores para depois da cirurgia da válvula mitral. Manifestou o desejo de vir a Aparecida, uma vez recuperado, para visitar-me.

Suas homilias estão sintetizadas no livro que logo estará à disposição de todos. Trata-se de um tesouro catequético, um arquivo de teologia e espiritualidade, uma escola de bons conselhos, orientações e luzes para nossa vivência cristã. No seu testamento, o senhor diz que era devoto de São Francisco de Assis e de São Francisco de Sales. De fato, o senhor se fez irmão de todos e viveu promovendo a paz e o bem, como pedia o pobrezinho de Assis. Por outro lado, divulgou a espiritualidade e a caridade de São Francisco de Sales.

O senhor partiu purificado e alegre pelo perdão que conseguiu dar a todos e pela reconciliação, o abraço, a proximidade realizados na oração de perdão e de misericórdia. Sua partida foi um "feliz pôr de sol", como dizia Madre Leônia.

Adeus dom Albano, meu mestre e meu Cirineu, meu bom amigo e companheiro e, agora, intercessor. Seu túmulo será muito visitado e muitas graças ali serão recebidas. O povo de Deus não o esquecerá porque o senhor é patrimônio, é um verdadeiro monumento da fé que amou a Igreja particular de Londrina até ao sacrifício e entrega de si. Adeus e obrigado!

DOM ORLANDO BRANDES é ex-arcebispo de Londrina e arcebispo de Aparecida

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