Adesão que já existia
Essa adesão de prefeitos ao PFL não justifica a barulheira até porque, embora em outros partidos, eles já estavam integrados na aliança governista. Na verdade, há aí uma gangorra: o número de prefeitos no PFL sobe para um terço, enquanto a bancada no Legislativo cai pela metade. Não há, portanto, muita sincronia na pretendida hegemonia partidária, que no Parlamento sofre as consequências do vácuo criado pela morte de Aníbal Khury.
No Paraná, como de resto no Brasil, é normal a cooptação de prefeitos, até por insuficiências institucionais conhecidas, mesmo com todos os supostos avanços havidos na discriminação de recursos da Carta de 1988. Quando há crise, isso se torna mais agudo, especialmente na conjuntura de falência do Paraná, com a perspectiva de verbas de convênios como as das secretarias de Habitação e Desenvolvimento Urbano.
Quando Lerner venceu Alvaro Dias, a maioria esmagadora dos prefeitos estava, por motivos óbvios, a favor do perdedor porque vinculado à gestão anterior. E era comum até prefeitos do PDT, partido de Lerner, ficarem com Alvaro, como ocorreu em vários casos, conforme levantamentos da época.
Mas por que os deputados fogem do PFL como um punk de um desodorante? Ora, o inchaço assusta e sair do partido confere uma certa faixa de manobra para obter algo mais do governo. Inchaço não é saúde: na eleição proporcional ele tem efeitos diversos do pleito majoritário. E a eleição de 2000 é de caráter municipal, razão pela qual a maioria se abriga no mesmo aprisco.
Será divertido se for levada ao pé da letra aquela sugestão do João Elísio, de que o PFL terá os candidatos preferenciais. Dá para imaginar o nível de conflito que se estabelecerá com deputados, especialmente aqueles que saíram do partido majoritário para ampliar seus espaços e precisam de respaldo local, isto é, de caráter municipal.



BIZARRICE
Você acredita que Curitiba tem mais movimento turístico do que a Bahia? Pois é um dos saques repetidos agora, quando do 27º Congresso da Abav. Mitos também são uma forma de ‘‘viagem’’ como o de que somos uma Cidade Ecológica. Viagem na maionese.



VITÓRIA Servidores estaduais em guerra com as deformações do novo sistema de previdência estão festejando o despacho do ministro Carlos Veloso, presidente do STF, de anteontem, que mantém em vigor a liminar concedida ao Sindicato dos Fiscais do Paraná contra as novas taxas da Paranaprevidência, não acatando o recurso da Procuradoria-Geral do Estado. Por sinal que Geraldo Brindeiro, procurador da República, também havia dado parecer favorável à manutenção da liminar da Justiça paranaense.
GLOSA Carlos Augusto Montenegro, diretor do Ibope, afirmou: ‘‘O governo FHC é tão ruim em comunicação que conseguiu empurrar até a Xuxa para a oposição’’. FHC, como o Botafogo, time do Montenegro, pode se recuperar.
AXIOMA O ministro Rafael Greca, por causa dos bingos, foi defendido no Senado por Siqueira Campos, de Tocantins, e atacado por Roberto Requião. É uma cena tipicamente paranaense. Os empréstimos do Paraná ficaram longo tempo no Senado sob o bloqueio de Requião e Osmar Dias. Coisas nossas, como dizia aquela música popular. Em compensação, não se sabe se Requião terá a solidariedade de Alvaro e Osmar por causa da história dos dólares de sua mulher. Numa coisa devem estar unidos: contra a antecipação dos royalties. E estão certos.
É um argumento forte às vésperas da deliberação que o Órgão Especial do TJ irá adotar em relação a todas as pendências, a maioria delas com liminares que suspendem parcial ou totalmente as inovações.
SPRAY Sobre os governos costuma-se dizer que neles as pessoas lembram macarrão e agem como duros e depois amolecem. Pois uma bronca sobre macarrão está dividindo a gestão Lerner: de um lado a secretária Maria Elisa e de outro um parente de Marcos Isfer, que comprou mercadoria imprópria para o consumo. Uma gracinha, como diria a Hebe. - E de onde veio a notícia dos dólares com a história de Dona Maristela: foi do Palácio Iguaçu, sim, mas não da área de Comunicação. Quem é o mais assanhado para essas coisas? Dou-lhe uma, dou-lhe duas. É esse mesmo que você está pensando. - Os sem-terra precisam criar fatos políticos: ontem o cerco em agências bancárias, anteontem a colheita de alface e de salsinha e cebolinha. Deveriam cultivar pepinos, o que seria redundância no cardápio do Palácio, ali ao lado. - Se der certo, todo o mundo vai arriscar no duque de grupo do cachorro e do cavalo no jogo-do-bicho. É que a partir de hoje, um intenso policiamento com 48 homens será feito nas doze principais praças públicas de Curitiba com duplas a cavalo ou a pé com cachorros. Visa quebrar a inércia do problema da segurança. - Em Piraí do Sul, há quatro postos de combustíveis e o preço, alinhado, da gasolina é R$ 1,40. Se isso não é cartel, então, a semântica nos está traindo. - Quem, afinal, controla o TC, Tribunal de Contas? Se é ente público, especializado no exame da legalidade das contas, não pode ficar liberado da responsabilidade de prestá-las também. É o que indica o bom senso. Numa hora em que se admite até o controle externo do Judiciário o assunto parece bastante pertinente.
ESPANTO No primeiro capítulo da novela ‘‘Terra Nostra’’ não houve cena de sexo. É um sinal diferente no momento em que se discute a indução pela TV e que explicaria a iniciação sexual cada vez com menor idade.
FOLCLORE Soube do novo policiamento e sugeri que ao invés de duque se apostasse no terno de grupo cachorro-cavalo e burro. Burro seria o cidadão que acreditasse nessa nova panacéia da área de segurança.
CROMO Na tua ausência, a descoberta, de novo, dos pêlos no sabonete e que se transforma em jogo de memória e prazer removê-los.
AFORÍSTICO Não foi o David quem deu a notícia dos dólares da Maristela. É coisa do Golias, não o bíblico, mas outro engraçado como aquele da tevê.

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