Centenário do Sul -A trabalhadora rural Maria das Dores Silva, 24 anos, presa em Porecatu acusada de matar o barbeiro Manoel Hipólito dos Santos, 67 anos, com quem mantinha um romance, foi interrogada ontem pela juíza Roseli Maria Geller, de Centenário do Sul (91 km ao norte de Londrina), e negou a autoria do crime. Ela disse que autor teria sido o lavrador Ronival Aparecido dos Santos, 20 anos, ajudado pelo pai, José Aparecido dos Santos, 41.
O interrogatório de Maria das Dores durou quase duas horas e tanto Maria das Dores quanto a juíza não deram declarações à imprensa. Maria das Dores foi chamada a dar informações a respeito da acusação de latrocínio (roubo seguido de morte), ocultação de cadáver, estelionato e um furto contra o barbeiro ocorrido alguns meses antes de sua morte. Além da trabalhadora rural, a juíza ouviu também Ronival e José Aparecido, mas somente hoje será divulgado o conteúdo de suas declarações.
Maria das Dores afirmou que mantinha um relacionamento com Manoel há dois anos e que não foi a autora do furto de uma carteira com dinheiro e cartão bancário de Manoel, ocorrido alguns meses antes de sua morte.
Sobre o latrocínio, ela relatou que emprestou um revólver do colega Ivan Antonio Silva, um dia antes do crime, para assustar um vizinho. No mesmo dia, porém, Ronival, que é seu cunhado, teria tomado posse da arma. No dia 29 de abril, por volta de 19h30, o barbeiro foi até sua casa, como de costume, e logo em seguida Ronival e José Aparecido também chegaram ao local.
Neste momento, Maria das Dores contou que foi atender uma ambulância que foi medicar sua mãe e quando voltou para dentro de casa, Manoel já estava caído no chão da cozinha e ela viu quando Ronival atirou contra ele, nas costas. Em seguida, José Aparecido começou a dar pauladas no barbeiro e, após Ronival roubar a carteira e documentos da vítima, os dois saíram do local. Como os acusados por ela pelo crime não voltaram para dar um fim ao corpo, ela o arrastou até os fundos da casa, limpou a cozinha, de madrugada jogou o cadáver numa fossa próxima e no dia seguinte o enterrou.
Ela também acusou Ronival de ter pego três cheques do Banco do Brasil de Manoel. Só depois, segundo a trabalhadora rural, ele solicitou que ela descontasse os cheques no comércio de Centenário, preenchidos com valores de R$ 300,00 e R$ 350,00.

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