ACUADO PELO MEDO
PUBLICAÇÃO
sábado, 19 de outubro de 2002
Agência Estado<br> Pouco mais de um ano depois dos ataques terroristas de 11 de 
Pouco mais de um ano depois dos ataques terroristas de 11 de setembro, nos Estados Unidos, o Fórum de Perspectiva de Marketing, da Associação da Indústria de Viagem da América (TIA, na sigla em inglês), um congresso anual do setor realizado na semana passada, foi um retrato do desalento.
As empresas mal tiveram tempo de comemorar tênues sinais de recuperação nos últimos meses e a iminência de uma nova guerra contra o Iraque ameaça o setor com a possibilidade de um terceiro forte golpe em dois anos, que pode ser fatal para muitas delas.
Um ano atrás, enquanto as ruínas do World Trade Center ainda fumegavam, muitos participantes do fórum realizado este mês ainda não haviam conseguido perceber as implicações dos ataques terroristas para seus negócios. Os que arriscavam previsões baseavam-se na rápida recuperação do setor americano de viagem depois da Guerra do Golfo no início dos anos 90 e, embalados pela onda nacionalista que seguiu os ataques terroristas do ano passado, calculavam que a crise passaria em seis meses, no máximo em um ano.
Mas passaram-se seis meses, depois mais seis, e a recuperação ainda não veio com força plena. ''O problema é que em 11 de setembro a economia americana já estava em recessão e 2001 vinha sendo um ano ruim, ao contrário do que aconteceu na Guerra do Golfo'', diz o diretor-presidente da TIA, William S. Norman. ''Agora, se houver uma nova guerra contra o Iraque, todas as apostas ficam suspensas, porque não há precedentes para a situação.''
Na verdade, o impacto dos atentados sobre esse setor nos Estados Unidos foi desigual e algumas áreas da indústria de turismo tiveram mais impulso e condições para correr atrás do prejuízo do que outras. As companhias de cruzeiros, por exemplo, já comemoram crescimento dos níveis de atividade do ano passado, graças à facilidade que têm para redesenhar as rotas dos navios para portos mais lucrativos.
Além disso, enquanto o turismo para grandes cidades americanas caiu drasticamente por causa do medo de terrorismo, destinos bucólicos, como parques florestais, e alternativas à aviação comercial, como o aluguel de carros, de repente encontraram-se lotadas de clientes, que fugiram das grandes aglomerações em busca de viagens mais próximas de casa. A demanda por hotéis, graças a promoções agressivas, registrou um leve aumento de 0,3% em agosto, em relação ao mesmo período do ano passado.


