Um dos objetivos do projeto coordenado pela Universidade de Tokoha é saber se os filhos de dekasseguis conseguiram fazer pelo menos os primeiros anos do ensino fundamental (correspondente ao antigo primário) no Japão; como se readaptaram às escolas brasileiras, ao retornarem; quantos, de volta ao Brasil, não continuaram os estudos e por quê. A pesquisa também quer descobrir o que pensam os pais que não preparam os filhos nem para a ida para o Japão nem para a volta à terra natal e o que esperam de suas crianças.
Com estas informações em mãos, a equipe de educadores vai elaborar o relatório que será apresentado à Unesco e definir ações. Uma das sugestões deverá ser a nomeação pelo governo brasileiro de assessores educacionais que teriam a missão de fundar e/ou acompanhar as escolas para brasileiros no Japão, acompanhando de que forma a cultura e o idioma brasileiros estão sendo ensinados.
''Existem atualmente no Japão muitas escolas particulares para filhos de dekasseguis, dirigidas por brasileiros. Porém são escolas caras, que nem todos podem pagar. Além disso, embora seja reconhecidas pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) brasileiro, não são reconhecidas pelo governo japonês. Há ainda as que não são reconhecidas nem no Brasil nem no Japão, portanto sem valor legal nenhum'', alerta o professor Sampei Suzuki.
O projeto também deverá propor o envio, por parte do governo japonês, de assessores ao Brasil para conhecer nossa cultura, costumes e idioma, para que possam trabalhar no sentido de amenizar a desincompatibilização entre crianças brasileiras e japonesas. ''Seria uma espécie de acordo educacional entre os dois governos'', define Suzuki, para quem o intercâmbio facilitaria a adequação das metodologias de ensino.
Uma maior flexibilização entre a idade cronológica e a idade escolar é outro ponto que deverá ser defendido no projeto. Os educadores entendem que é preciso oferecer a possibilidade de as crianças brasileiras, ao chegarem ao Japão, entrarem em séries não compatíveis com a idade pelo rígido sistema educacional japonês. O problema é que para isso seria necessária uma mudança na legislação escolar do Japão. Em compensação, acredita Suzuki, vários outros povos interessados em oferecer sua mão-de-obra para os japoneses poderiam ser beneficiados também.

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