Ações para um polo biomédico
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de dezembro de 2012
Ivan Frederico Lupiano Dias 
Várias iniciativas visando discutir novos rumos para o desenvolvimento de Londrina e do Norte do Paraná têm sido apresentadas ao longo dos anos. Em uma destas iniciativas contemplada no documento intitulado ''A questão tecnológica'', encaminhada, ainda no início de 1993, pela Universidade Estadual de Londrina, à prefeitura, se propunha a implantação de um polo tecnológico na área biomédica. Este tema foi abordado recentemente em outro artigo publicado neste mesmo espaço (5/8) e o retomamos aqui no sentido de contribuir de modo mais concreto para seu aprofundamento.
A pesquisa na área da saúde que gera inovação tecnológica é essencialmente interdisciplinar e se faz, principalmente, com interação de profissionais desta área com profissionais de outras áreas como: engenharia eletrônica, engenharia mecânica, engenharia química; informática; química, física e biologia; ciência de materiais, entre outras. Assim a criação de cursos de graduação e pós-graduação deve ser contemplada para a formação de recursos humanos indispensáveis ao desenvolvimento tecnológico e industrial inovador.
Uma sugestão, portanto, é a criação de cursos de graduação em Engenharia Biomédica e pós-graduação em Ciência de Materiais na UEL. A PUC e outras instituições de ensino superior deveriam ser incentivadas a criarem cursos de Engenharia Eletrônica e Engenharia Biomédica. Outro curso de grande interesse é o de Engenharia Clínica. Departamentos da UEL deveriam ser incentivados e apoiados na criação de habilitações com interface com a área biomédica (o departamento de Física, por exemplo, poderia ser apoiado na criação da Habilitação em Física Médica, etc.).
Esses cursos e habilitações, se adequadamente estruturados, viriam agregar ao enorme parque de prestação de serviços no setor biomédico da cidade um componente de formação de recursos humanos qualificados a incrementar o desenvolvimento de tecnologias inovadoras em uma área de grande interesse social.
O desenvolvimento econômico, industrial, tecnológico e social de uma cidade ou região não prescinde de recursos humanos qualificados, porém somente a existência destes recursos e a criação dos cursos de engenharia não é o suficiente. É preciso criar sinergia entre as diferentes instituições de pesquisa científica e tecnológica com o setor privado e com os órgãos públicos. A criação desta sinergia exige investimento na criação de estruturas que permitam um locus de aglutinação destes segmentos. A recriação da Incubadora Industrial de Londrina (Incil), que tanto contribuiu para a criação e apoio a empresas, deveria ser considerada pelo poder público como uma alternativa concreta para a criação deste locus.
A institucionalização de um projeto de desenvolvimento regional é fator relevante para o seu sucesso. A perpetuação da sinergia entre o setor privado, o acadêmico e o poder público e o desenvolvimento decorrente desta articulação, para além dos processos eleitorais com as mudanças inerentes ao processo democrático, poderiam ocorrer com a criação de uma Secretaria Municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação, a exemplo de outros municípios do país.
A velocidade característica do setor empresarial (e a articulação entre os diferentes segmentos) pode ser contemplada com o aproveitamento das entidades já existentes no município ou com a criação de entidade específica que aproveite a experiência das já existentes para tal. Caberia ainda ao poder público o estabelecimento de incentivos para a instalação de indústrias da área de saúde no parque industrial. Acredito que este conjunto de propostas possa contribuir para a discussão de alternativas para uma política de desenvolvimento regional.
IVAN FREDERICO LUPIANO DIAS é professor do departamento de Física da Universidade Estadual de Londrina e autor da proposta de criação de um Polo Tecnológico na área biomédica em Londrina
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