Ações da Vale
Nos últimos 20 dias todos os meios de comunicação comentaram, analisaram e anunciaram a oferta de ações ordinárias da Vale do Rio Doce que foram colocadas à venda pelo governo, dando a chance a milhares de pessoas que nunca tinham aplicado seus recursos em ações a utilizarem seu FGTS para ter a possibilidade de um ganho maior. O que pretendo aqui é colocar que se tratado de forma séria e educativa tanto o mercado de ações, quanto o investidor, pequeno ou grande, só terão a ganhar, e a tão sonhada poupança feita com capital de risco que financia os investimentos de longo prazo, pode acontecer.
Uma das maiores queixas do investidor é a falta de informação sobre como funciona o mercado e como se aplica em ações. Nesta oferta de ações, era do interesse do governo fazer uma propaganda séria e inteligente. A imprensa falou do assunto todos os dias, com entrevistas de analistas de investimentos, administradores de recursos e outras pessoas ligadas ao mercado de ações. E assim a demanda foi crescendo, e mesmo com o mercado pouco atraente nestes últimos dias, o que se viu foi um sucesso que vai ficar para a história do mercado de ações.
Mas não foram as informações e a propaganda que sozinhos venderam as ações, que são de uma empresa de excelente qualidade. Foi a oferta dos recursos descomprometidos com o mercado financeiro que o FGTS representa e que interessa aos bancos e aos administradores de recursos. Isto quer dizer que a disputa por recursos entre os diversos produtos encontrados no nosso mercado é desigual. A necessidade de recursos que o governo tem, a necessidade de se refinanciar mês a mês, faz com que a renda fixa absorva grande parte da poupança do País, aonde bancos e administradores de recursos ganham sem muito esforço, reduzindo o espaço para outros tipos de investimento, colocados como de risco elevado.
Assim, o que se viu nesta oferta é que existe uma demanda muito grande por informações confiáveis e independentes, aliada a uma oferta de recursos iguais àqueles que estão depositados na poupança, esperando uma oportunidade simples, de ter a possibilidade de um ganho maior no longo prazo. Está na hora de fazer valer as declarações feitas pelo presidente do BC, de que o crescimento do País passa pelo mercado de capitais. É fundamental que se desonerem as operações nas bolsas, que se reduzam os custos para as empresas abertas, que se atraia o investidor externo com regras e moeda estável, mas é igualmente importante que se coloque a população também em um processo de democratização do capital que gera o investimento, e que possibilita um ganho maior a longo prazo.
Todos que participam ativamente do mercado de capitais querem um maior volume de negócios, que vai possibilitar um maior número de empresas abertas, e consequentemente ter o mercado de ações representando um percentual elevado na fatia da poupança nacional e não o que vemos hoje, aonde as empresas abertas são a exceção.
MAURO GIORGI é analista financeiro





