ACM ou como desagradar a todos - Mirian Guaraciaba
ACM ou como desagradar a todos
Mirian GuaraciabaÉ muito difícil a aprovação, pelo Congresso, do novo imposto sugerido pelo senador Antonio Carlos Magalhães. Para não dizer quase impossível. A proposta está na contramão da reforma tributária. E não é só por isso.
Correntes variadas são unânimes em afirmar que a solução para o Brasil não está na criação de novos impostos. Há taxas, sobretaxas e contribuições obrigatórias suficientes. O nó está na sonegação e na má aplicação dos recursos.
Nem o PT fará a aliança prometida a ACM para aprovar o fundo antipobreza. O líder José Genoino elogiou a iniciativa, mas ressalvou: A intenção é para valer? Então faremos um debate sério.
Representantes do PMDB pensam parecido. E, como os tucanos, não querem abrir espaço para ACM. Sabem que a proposta tem claro objetivo eleitoral. Bom marqueteiro, ACM manteve na mídia - em pleno recesso - seu nome e o de seu partido, o PFL.
O PT viu defeitos graves no projeto que o senador encaminhará oficialmente esta semana ao Senado. Ele taxa a sociedade, os trabalhadores, a classe média. E os mais ricos, o topo da pirâmide? Esses deveriam pagar mais, diz Genoino.
A gestão independente do fundo, por um conselho formado pelos vice-presidentes da República, do Senado, da Câmara, do TCU e por representante da CNBB, também não agradou ao PT.
Os petistas preferem incluir a pobreza no debate da reforma tributária. Eles temem - como os empresários - que o governo empurre o assunto com a barriga até inviabilizar a votação este ano.
A proposta de Antonio Carlos Magalhães desagradou a quase todo o mundo. Não porque não estejam todos preocupados com o crescimento da miséria. Há brasileiros verdadeiramente angustiados. Mas cansados também de dar sua cota de sacrifício. Sem retorno.
Os mais críticos acham que se o governo taxar os bancos e agir contra os sonegadores conseguirá mais do que os R$ 8 milhões pretendidos.
O impressionante é que até os pobres consideram providência improdutiva o novo imposto. Eles querem emprego e salário que lhes proporcione casa, comida, água, escola e saúde para os filhos.
Pergunta-se no Congresso se ACM acredita na aprovação do projeto. Aliados e adversários fazem raciocínio parecido: ele jogou. Se não der certo, dirá: Eu tentei. Políticos insensíveis não quiseram tratar o assunto com seriedade. Se o imposto vingar, ele será o pai da criança.
- MIRIAN GUARACIABA é jornalista em Brasília





