Acima dos 50, mas ainda na ativa
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domingo, 30 de setembro de 2007
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
O deputado estadual Lavoisier Maia (PSB/RN) apresentou, nos últimos dias, um projeto de Lei que estimula as empresas a admitirem, em seus quadros, pessoas com mais de 50 anos. A contrapartida seria benefícios fiscais e administrativos. A iniciativa do parlamentar potiguar, se um dia for implementada em território nacional, daria novo gás a uma demanda cada vez maior. Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego (PME), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada entre 2002 e 2006, apenas 6% da população empregada de Norte a Sul do país têm mais de 50 anos.
Para o administrador e professor Mike Dárlan, com base nesses dados, percebe-se que o mercado de trabalho para esta população está cada vez mais restrito. E somente algumas empresas têm esse tipo de preocupação. ''Como a vida a cada década está mais difícil, o trabalho para os mais velhos não pode ser encarado apenas como necessidade, mas também como qualidade de vida. Os que têm uma ocupação, seja remunerada ou não, estão menos propícios à depressão, à ociosidade e, consequentemente, têm expectativa de vida maior''.
Segundo Dárlan, boa parte desses trabalhadores adia a aposentadoria por necessidade. ''A maioria deles, cerca de 70,2%, é responsável pelo sustento dos domicílios em que reside. Eles realmente contribuem com a renda mensal, ajudando os filhos a se formar e a construir suas respectivas casas'', observa.
Em contrapartida, o mercado, como bem se sabe, não é tão receptivo. ''As empresas vêem, muitas vezes, o aposentado como um trabalhador ultrapassado e sem estrutura para acompanhar as evoluções tecnológicas. Com essa visão distorcida, a sociedade prefere não abrir oportunidade para empregos voltados a esta faixa etária: prefere o jovem, para ser moldado, na cartilha da empresa, ao mais velho'', acredita Dárlan.
Como dicas para a permanência no mercado, o administrador e professor londrinense sugere a atualização. ''Para quem tem medo do computador, é hora de mudar. Comece a praticar e mostre interesse. Tornar-se competitivo também é essencial: prepare um bom currículo, faça cursos e não pare de aprender''.
Informação e comunicação fecham o ''pacote'' de iniciativas. ''É importante tomar parte do que o mercado está exigindo, mostrando disposição e valorizando a própria experiência. Outro detalhe essencial: ligue para os amigos, eles podem ajudar. Aposentadoria não quer dizer fim de carreira. Muitas vezes é o início de uma nova''.
Jornada dupla - Aos 51 anos, Sidenéia Barbosa nem pensa em aposentadoria. Secretária em um consultório odontológico, pela manhã, ''Néia'', como é conhecida em seu ambiente de trabalho, bate cartão em um restaurante de culinária árabe, como chefe de cozinha, das 17h às 23h.''Do salgado ao doce, sempre gostei de cozinhar. Lembro-me que, quando menina ainda, já me interessava por culinária, ornamentando bolos, fazendo salgados. Sou do forno e fogão''.
Exigente com seus comandados, Néia conta que procura se atualizar. ''Tento imprimir um padrão em tudo o que faço, como se fosse extensão de minha casa. Aliás, quando não estou no restaurante coordenando a equipe, pensando nas receitas, acabo lembrando de meu trabalho. O prato não pode ser somente o gosto, tem que ter aparência. E vice-versa'', afirma.
Mãe e avó - tem um netinho de 12 anos -, a secretária e chefe de cozinha se mantém por conta própria. E assim pretende continuar. ''Já cheguei até a estudar enfermagem, fiz quatro meses. Consigo me manter, criei meu filho sozinha. Considero-me uma pessoa realizada e, por conta disso, não penso nem nunca pensei em parar. O dever me chama''.


