De janeiro para cá, no norte do Paraná foram registrados seis acidentes ferroviários. O número fica mais assustador quando se pensa que os trilhos passam muitas vezes próximos a plantações e áreas urbanas. O último acidente ocorreu domingo, dia 8, quando uma composição carregada com álcool hidratado e anidro descarrilou em Cornélio Procópio, sem vítimas ou grande impacto no ambiente. Confira a entrevista que o diretor de Operações da ALL, Raimundo P. Costa, concedeu à FOLHA.


A frequência com que ocorrem os descarrilamentos é normal?

Acidentes são um risco inerente à operação, seja ferroviária ou rodoviária. Nossa empresa trabalha duro para reduzir ao máximo a possibilidade de ocorrências. Desde que a ALL assumiu a operação da malha ferroviária, em 1997, o indicador de acidentes caiu de 83 ocorrências para cada milhão de quilômetros percorridos pelo trem, para 12,2, em 2006. Em 2005, foram 14. Esta redução significativa ocorre graças aos investimentos que a empresa faz em tecnologia e controle da operação. Além disso, temos uma metodologia focada em resultados, que atua sobre as causas das ocorrências, o que reduziu em 78% o índice de gravidade em acidentes ferroviários nos últimos anos.


Como evitar vítimas?

A segurança é uma das prioridades da empresa. Isso vale tanto para nossos colaboradores, quanto para a comunidade que mora próxima à linha. Por isso, treinamos e reciclamos periodicamente nossas equipes. Eles estão preparados para atendimentos emergenciais e há bases de apoio espalhadas ao longo da malha para procedimentos urgentes. Em áreas urbanas, os trens circulam em velocidade reduzida, para evitar ocorrências como descarrilamentos e atropelamentos, ou mesmo minimizar o impacto de uma eventual ocorrência. Também é importante que a população respeite a faixa de domínio (margens da ferrovia). Parar o veículo antes de cruzar a linha férrea e não caminhar ou brincar sobre os trilhos também são procedimentos de segurança que precisam ser observados para evitar acidentes.


Que providências estão sendo tomadas?

Somente este ano, no trecho ferroviário de Londrina e região, a ALL está investindo cerca de R$ 20 milhões para troca de trilhos, dormentes, detectores de descarrilamento, entre outros. Também foram intensificadas as revisões preventivas nos ativos, como locomotivas e vagões e os programas para treinamento de maquinistas.


Descarrilamentos ocorrem com mais frequência em áreas urbanas?

É impressão, pois um acidente ocorrido em área urbana fica fortemente gravado na memória das pessoas. Além disso, conforme mencionei anteriormente, em áreas urbanas os trens circulam em velocidade reduzida. São justamente nestas áreas, entretanto, em que registramos ocorrências causadas por atos de vandalismo e até mesmo sabotagem, que muitas vezes têm a intenção de parar o trem para roubo da carga. Para evitar este tipo de ação, reforçamos a segurança nos trechos mais críticos.


Quais as vantagens do transporte ferroviário?

O transporte ferroviário pode ser até 15% mais barato que o rodoviário. Além disso, cada vagão tira dois caminhões das estradas, tornando nossas rodovias mais seguras para o trânsito de veículos.


O Paraná está transportando mais álcool do que grãos e/ou óleo de soja?

O transporte de commodities agrícolas continua sendo o principal produto movimentado por ferrovia no Estado. Em 2006, o share (participação da ferrovia no mercado) nas cargas agrícolas para exportação, movimentadas rumo ao porto de Paranaguá, foi de 60%. Mas registramos crescimento significativo no setor de industrializados. Também houve aumento no caso do álcool. Partimos de 260 mil toneladas transportadas em 2005, para 320 mil toneladas em 2006.

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