Poucos de nós. Ou muitos. Não importa o número, já tivemos ou lamentamos a perda de um familiar ou amigo em acidentes nas rodovias ou nas vias públicas da cidade. É claro, que nem sempre acontece por displicência. Mas, na maioria das vezes, é por erro humano.
Como secretário de Estado e como cidadão paranaense, estou preocupado com o número de acidentes com mortes nas estradas. Embora esse número tenha diminuído, ele ainda é muito alto e insustentável.
Em 1997, foram registrados 13.551 acidentes nos 13 mil quilômetros de rodovias paranaenses fiscalizadas pela Polícia Rodoviária. Esse número caiu para 13.170 em 1998. O número de mortos também se reduziu de 1.001 para 828, no mesmo período.
O número de feridos baixou de 10.072 para 9.374 e as autuações por infrações ao Código de Trânsito Brasileiro, que foram 208.393 em 1997, também caíram para menos da metade em 1998: 101.176, apesar do aumento da frota de veículos.
Tudo isso é altíssimo e devemos fazer algo para reduzir ainda mais o número de acidentes e vítimas em nossas estradas. Para se ter uma idéia da catastrófica situação, de janeiro a dezembro de 1998 foram registrados 939 acidentes nas rodovias da Região Metropolitana de Curitiba.
O saldo trágico foi que 46 pessoas perderam a vida e 491 ficaram feridas. São rodovias críticas, principalmente de Curitiba-Colombo, Curitiba-Piraquara, Curitiba-Rio Branco do Sul, Curitiba-Campo Largo ida e volta.
Foi em alguns trechos dessas rodovias que o DER resolveu intervir com maior rigor e instalou o radar a laser. Para isso contratou, através de licitação pública, uma empresa para disponibilização de equipamentos e coleta de dados nas rodovias, a exemplo do que existe em outros Estados brasileiros. Ao tomar essa medida, o Estado do Paraná foi desonerado do custo dessa fiscalização, que será 100% bancada pelos próprios infratores, pois antes éramos todos nós, através dos impostos, que custeávamos essas operações.
O radar a laser é um equipamento móvel que faz a leitura e fotografa os veículos infratores. Esses equipamentos são exigência do Código de Trânsito Brasileiro, e o que o Estado está fazendo nada mais é do que cumprir a lei.
É claro, e até entendo, que quando se mete a mão no bolso de qualquer pessoa, a reação é imediata. Ou, pergunto, quem quer pagar mais caro pelo arroz, pelo feijão, pelo açúcar e assim por diante? Ninguém, é claro.
No entanto, o assunto que estamos tratando é de vida ou morte. No Rio Grande do Sul, por exemplo, quatro oficiais da Brigada Militar resolveram radiografar o fenômeno do excesso de velocidade nas estradas gaúchas e buscar solução. E chegaram a uma conclusão: não adianta só colocar policiais na via. É preciso multar. Longe, porém, de caracterizar de ‘‘indústria da multa’’.
Aqui, no Paraná, nós queremos um tráfego sem violência. Os radares são testemunhos. Na rodovia que liga Alexandra a Matinhos, no Litoral paranaense, um veículo BMW foi fotografado a 200 km por hora.
Em Piraquara, a maioria dos veículos que trafegam pela Rua João Leopoldo Jacomel, não respeitava o limite de velocidade. Após a instalação do equipamento a situação modificou. Hoje, podemos observar veículos trafegando dentro do limite de velocidade permitido por lei.
Quero lembrar, que há 25 anos o DER abriu uma escola de trânsito em Curitiba - hoje são cinco no Estado - para orientar os alunos das escolas. Por ali, passaram mais de 700 mil crianças que receberam noções de trânsito, meio ambiente e cidadania, dentro do Programa Aprendendo e Vivendo. Esta, portanto, sempre foi uma preocupação nossa.
Lembro, também, que quando fui deputado estadual, apresentei projeto de lei obrigando o ensino de trânsito nas escolas públicas estaduais paranaenses. Este projeto foi aprovado na Assembléia Legislativa e até hoje, pelo que sei, não foi implantado.
Várias ações educativas têm sido feitas para que o trânsito nas estradas paranaenses não vitime mais pessoas. O DER mantém convênio com a Polícia Rodoviária Estadual que não descuida, em nenhum momento, do trânsito e da orientação aos usuários nas nossas rodovias.
O que precisamos é conscientizar a população que é preciso tirar o pé do acelerador e mostrar a nossos filhos que a vida tem que continuar.
- HEINZ GEORG HERWIG é secretário dos Transportes do Estado do Paraná

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