O aumento crescente da violência do tráfego no mundo levou as Nações Unidas a declarar a Década de Ação pela Segurança no Trânsito (2011/20). O objetivo, em um primeiro momento, é estabilizar para posteriormente reduzir o número de vítimas previstas a partir da formulação e implementação de políticas públicas de âmbito regional, nacional e mundial. Os números da Organização Mundial de Saúde (OMS) são antigos, mas não deixam de ser chocantes. Em 2009, cerca de 1,3 milhão de pessoas morreram vítimas de acidentes de trânsito; número que poderá saltar para 1,9 milhão se nada for feito. Além disso, cerca de 50 milhões de pessoas sobrevivem com traumatismos e feridas.
Segundo a OMS, as estatísticas apontam para uma pandemia global. Além disso, os acidentes de trânsito são a primeira causa de morte entre pessoas com idade entre 15 e 29 anos; a segunda causa, na faixa de 5 e 14 anos; e a terceira causa no intervalo entre 30 e 44 anos. São dados preocupantes e que, infelizmente, fazem parte do dia a dia local. Estatística do Hospital Universitário de Londrina, referência no Sistema Único de Saúde, indica que o número de vítimas de acidentes com motocicleta aumentou 138% entre 2008 e 2012, saltando de 214 para 508 atendimentos. No primeiro trimestre deste ano já foram registrados 120 atendimentos. A maioria das vítimas é homem.
Os motociclistas são um grupo vulnerável, juntamente com pedestres e ciclistas. No entanto, os esforços da OMS se concentrarão nos motociclistas porque é um grupo com maior aumento de vítimas. No Brasil, o grande problema é que os investimentos para a melhoria do tráfego de cidades e estradas não acompanharam o aumento da frota. Dados do Departamento Nacional de Trânsito mostram que 252 novas motocicletas são registradas a cada mês em Londrina.
Como já apontado neste espaço anteriormente, de nada adianta estimular as vendas de veículos e motocicletas se não forem feitos investimentos para melhoria da mobilidade das cidades. Além disso, campanhas educativas – que abordem a importância de seguir as leis de trânsito, de evitar a mistura álcool, drogas e direção, por exemplo – acompanhadas pela realização de blitze devem ser constantes porque contribuem para coibir o desrespeito à legislação.

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