Acidentes com escorpiões preocupam no inverno
O caso mais grave foi a morte de uma criança de 3 anos de Cambará (Norte Pioneiro) no dia 14 de julho
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segunda-feira, 21 de julho de 2025
O caso mais grave foi a morte de uma criança de 3 anos de Cambará (Norte Pioneiro) no dia 14 de julho
Folha de Londrina 
O número de notificações de ataques por escorpiões tem crescido no Paraná. Esse aumento reflete tanto a adaptação da espécie ao ambiente urbano quanto a melhoria na vigilância e registro de casos. O que chama a atenção é o registro de ocorrência no inverno, o que mostra também a capacidade do escorpião adaptar-se ao clima que não seria ideal.
De acordo com dados do Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), o Paraná registrou, em 2022, 4.418 acidentes do tipo. Em 2024, foram 6.525 casos de picadas por escorpião. Este ano, o dado parcial já soma 3.603 acidentes.
O caso mais grave foi a morte de uma criança de 3 anos de Cambará (Norte Pioneiro) no dia 14 de julho. O menino, que foi picado quando calçava o tênis para ir à casa da avó, não resistiu após sofrer 33 paradas cardíacas, segundo a família.
A tragédia motivou a Secretaria de Estado da Saúde a enviar uma equipe de profissionais da 19ª Regional de Saúde de Jacarezinho para atuar em conjunto com a Secretaria de Saúde de Cambará na busca ativa de escorpiões no bairro onde a criança morava. Dentre os 236 casos de acidente com escorpião registrados este ano na 19ª Regional de Saúde, 68 casos ocorreram em Cambará.
Somente no primeiro dia, a equipe capturou 15 escorpiões, sendo a maioria deles o escorpião-amarelo. Os animais estavam em terrenos com acúmulo de lixo e entulhos. A 19ª RS notificou o município para remoção e limpeza imediata dos locais e o trabalho de busca ativa pela cidade seguiria até domingo (20).
Por isso, é fácil perceber que o risco é constante. O problema do descarte irregular de lixo em lotes desocupados é comum em cidades paranaenses, incluindo Londrina. A conscientização do cidadão deveria falar mais alto, porque essa prática, além do escorpião, cria ambientes propícios também para o surgimento de criadouros do mosquito da dengue.
No Paraná, a espécie mais comum é o Tityus serrulatus, conhecido como escorpião-amarelo, que é extremamente venenoso e cuja picada pode provocar reações graves. Embora a maioria dos acidentes seja de baixa gravidade, casos mais graves exigem atendimento médico imediato. A recomendação é que, diante de qualquer picada, a pessoa procure rapidamente uma unidade de saúde.
Mesmo no inverno, os riscos permanecem, especialmente nas áreas urbanas, porque os escorpiões tendem a buscar abrigo e alimento dentro das casas, aumentando a possibilidade de contato com as pessoas.
O escorpião-amarelo prefere locais quentes e úmidos e se abriga sob madeiras velhas, lenha, telhas, tijolos, restos de construção, entulhos, além de frestas em calçadas, muros e paredes. Lixo mal acondicionado e restos de alimentos também favorecem sua presença, já que atraem insetos, como baratas, que servem de alimento para o escorpião.
A picada causa dor imediata e intensa, que pode irradiar para o membro afetado e vir acompanhada de vermelhidão, suor local, adormecimento e, em casos mais graves, suor excessivo, agitação, tremores, náuseas, vômitos e salivação.
O tratamento com soro antiescorpiônico é a única forma eficaz de combater o veneno e deve ser iniciado o mais rápido possível, quando indicado.
O Paraná possui atualmente 225 serviços de saúde que são referência para aplicação de soros, distribuídos nas 22 Regionais de Saúde do Estado. As Regionais atuam com plantões permanentes para apoio e disponibilização destes insumos em todos os casos de acidentes.
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