''Um dos alunos da escola teve uma discussão com a professora de português. Como eu era tutora da turma, fui até lá para conversar com eles. Mal comecei a falar e esse aluno me mandou parar porque ele não queria ouvir. Eu respondi que estava ali fazendo meu trabalho, pedi licença e disse que iria continuar. Ele ficou enfurecido, levantou e veio na minha direção. Eu sou uma mulher pequena, tenho 1.60m e esse aluno tinha pelo menos 1.80m. Ele começou a gritar e eu disse que se ele não queria me ouvir, podia sair da sala. Então ele me chamou para descer e resolver a situação lá fora. Eu disse que de jeito nenhum ia largar a sala toda esperando, que eu ia terminar o que tinha para dizer e que ele podia sair. Naquela hora, achei que ele fosse me bater. Em vez disso, ele deu um murro na porta e desceu. Lá embaixo ele quebrou carteiras, chutou móveis, gritou e me ameaçou de morte. A supervisora chamou a polícia e o pai dele. Eu terminei de conversar com a turma e desci, esperei a polícia registrar a ocorrência e só então conversei com ele e com o pai dele. Disse que ele podia voltar para a minha aula no dia seguinte, desde que se comportasse. Ele voltou. Durante uns tempos a gente não conversava mas depois ficou normal. No fim do ano, na festa de formatura, ele me abraçou e me agradeceu. Só eu sei o medo e a tensão que eu passei. A outra professora abandonou a turma mas eu não. Sou uma profissional e não vou permitir que um aluno me tire da sala de aula, mas às vezes me pergunto se conseguiria passar por tudo isso outra vez.''
Depoimento da professora Carolina (nome fictício)

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