Acesso às políticas de saúde pública
No âmbito da saúde pública é possível afirmar que muito se fala e pouco se faz. A Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH) é mais uma das provas. O programa importantíssimo se considerarmos a conhecida resistência masculina em frequentar consultórios médicos tem por objetivo facilitar e ampliar o acesso da população masculina aos serviços de saúde. Lançada há dois anos, a PNAISH praticamente não foi implementada no Paraná, como mostra reportagem que a FOLHA publica hoje.
Na época da divulgação da proposta foram traçadas metas e ações que deveriam ser atingidas até o fim de 2010. No entanto, muito pouco se fez. A informação item básico na implementação de qualquer política pública de saúde sequer chegou ao seu público-alvo: homens com idade entre 20 e 59 anos. E isso ocorreu porque houve um atraso de um ano na liberação de R$ 75 mil para cada município participante. O recurso seria um incentivo ao início do projeto.
A proposta era oferecer informações sobre doenças como câncer de próstata, direitos sexuais e reprodutivos, e métodos anticoncepcionais. A meta também é aumentar o número de vasectomias, além de financiamento de ultrasonografias transrretais e de cirurgias de doenças e cânceres do trato genital masculino.
No Paraná, participam da ação: Curitiba, Arapongas, Apucarana e Maringá. Somente este último município conseguiu alguma evolução e isso porque já havia iniciado o desenvolvimento do programa um ano antes do lançamento da política nacional. Nas demais cidades, os médicos foram capacitados e a abordagem aos homens tem sido feita por meio do programa Estratégia Saúde da Família (antigo programa de Saúde da Família) e de grupos já formados de hipertensos, diabéticos e núcleos de atividades físicas. Embora positiva, as ações atingem homens com mais de 60 anos, que estão fora do foco do programa.
Vale reforçar que prevenção custa muito menos do que o tratamento. Somente a conscientização da vulnerabilidade humana é que pode surtir algum efeito e, quem sabe, reverter um velho comportamento cultural.





