Os livros estão dispostos de forma cuidadosamente descompromissada pela vitrine. Um convite para entrar na loja. Ali, eles estão prontos para serem folheados, ao alcance do consumidor.
Não estão atrás de um carrancudo balcão, vigiados por um livreiro circunspecto, de óculos, que analisa com a rabeira do olho clientes ou as brochuras que tem em mãos. Uma cena antiga, da qual muitos dos mais novos leitores que percorrem a loja não têm como lembrar. Afinal, foram criados para buscar os seus livros em um ''megastore'', como se chamam as grandes lojas que espalham-se pelas maiores cidades paranaenses.
Em Londrina, até assustou o movimento que a Bom Livro do Shopping Catuaí recebeu na tarde da quarta-feira de Cinzas. Teve gente circulando por todos os setores da loja. Nem todos comprando: muitos dando apenas uma espiada, ou se dirigindo ao café.com, o café cibernético que, além de computadores com acesso à Internet, também oferece deliciosas receitas como o cappucino gelado ou o frapê de côco.
Mais de 50 mil livros estão espalhados. Tem para todas as faixas etárias e todos os gostos. A loja está aberta tanto para idosos com para os pequeninhos, que costumam gostar mesmo é do ''Cantinho do Ziraldo'', onde podem se divertir com livros infantis e brinquedos.
Leide Salles, a gerente da megastore, trabalha há muito tempo em livrarias. Já atendeu leitores nas lojas tradicionais, e garante que a megastore tem despertado interesse maior.
''Não digo que hoje se compra mais livros, mas percebo que existe um interesse maior neles, até pela necessidade de manter-se mais informado'', diz.
Na Bom Livro, o leitor pode pegar qualquer livro da prateleira, levar para uma das poltronas estratégicamente instaladas pela loja, acomodar-se e iniciar a leitura. E pode ler a obra de cabo a rabo. Só não pode copiá-la, ou utilizá-la para pesquisas.
Pela maneira de dispor os livros, e atiçar o impulso do leitor, a megastore estimula a leitura. Leide garante que muita gente vai tomar um café na loja, passa defronte a um livro interessante, e acaba levando a obra para casa. Ou vai procurar um CD, ou mesmo comprar material escolar, e não resiste à tentação das letrinhas. Além de estarem todos à mão, os livros também costumam chamar a atenção por suas capas, cuja elaboração gráfica, cada vez mais interessante, despertam atenção e curiosidade do consumidor.
O Natal, de acordo com a gerente, foi um período bom de vendas. Papais mais intelectualizados ganharam dos filhos os volumes ''A Ditadura Escancarada'' e ''A Ditadura Envergonhada'', de Elio Gaspari, e ''Tempos Interessantes'', de Eric Hobsbawn.
As bilheterias do cinema também estimularam a venda das novas edições de ''O Senhor dos Anéis'', de J.R. Tolkien, e da série ''Harry Potter''. O público alvo, é claro, o juvenil. Os mais irreverentes preferiram ''Vidia i Óbria'', de Seu Creysson; ''Pai Rico Pai Pobre'', de Robert Kiyosaki e Shawn Lechter, de 2000, continua entre os mais vendidos no gênero negócios; na auto-ajuda, Içami Tiba foi um dos mais prestigiado pelos leitores, com o livro ''Quem ama, educa''.

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