Um dos direitos fundamentais dos brasileiros garantidos pela Constituição Federal, o acesso à Justiça tem sido negado a uma parcela dos paranaenses. Na prática é essa a situação de parte da população, principalmente moradora de pequenos municípios. Levantamento feito pela FOLHA aponta que 23 comarcas não têm juízes titulares, o que significa que milhares de processos estão parados nos fóruns a espera de uma solução de primeira instância.
Sem um dado oficial do Tribunal de Justiça, estimativa da seccional paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil aponta que seriam necessários pelo menos 60 juízes para amenizar a situação. O problema teria sido ocasionado por "falta de planejamento", uma vez que foram criadas comarcas, varas e elevação de entrâncias sem a mesma quantidade de juízes disponíveis. Ainda que esteja em andamento concurso público para preenchimento das vagas, a solução parece ainda estar distante devido ao acúmulo de processos.
Números divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça em outubro do ano passado indicam que a Justiça Estadual do Paraná era a quarta do País em processos pendentes: 3,2 milhões, atrás apenas de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Considerando a morosidade da justiça brasileira – ocasionada pela grande quantidade de recursos proporcionada pela legislação nas três estâncias – não é exagero afirmar que um processo pode demorar décadas para ter um desfecho.
Essa situação contribui para afastar a população do Judiciário e para fortalecer entre a opinião pública o sentimento de que a Justiça existe para poucos. Assim como a garantia do acesso à saúde e educação de qualidade, os brasileiros precisam de um Judiciário que atendam as suas expectativas e demandas. De nada adianta ter um direito assegurado pela Constituição Federal, se ele simplesmente não é cumprido.

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